Exército egípcio diz que não lançará candidato a presidente

Militares reforçam que Forças Armadas "querem entregar o poder aos partidos civis" nas eleições de setembro

iG São Paulo |

O Exército do Egito não lançará um candidato nas eleições presidenciais de setembro, segundo informou nesta quinta-feira o major Mokhtaar Mullah. "Não haverá um candidato das forças militares", afirmou. Os militares assumiram o poder no país na semana passada, após a renúncia do então presidente Hosni Mubarak, que estava no cargo há cerca de 30 anos.

O porta-voz do Exército, general Ismail Eetman, também a reafirmou que os militares "não têm ambições para o futuro". "As Forças Armadas querem entregar o poder aos partidos civis quando estes estiverem suficientemente fortes para não desabar", disse.

AP
Tanques são vistos em frente ao Museu Nacional do Egito, no Cairo

Líderes da juventude egípcia começaram a formar um novo partido político nesta quinta-feira, enquanto a Irmandade Muçulmana exerce um papel cada vez mais importante na preparação das eleições pós-Mubarak, prometidas para dentro de seis meses.

A Irmandade Muçulmana tem um de seus membros no comitê constitucional, participa de um conselho criado por ativistas e já declarou que criará um partido político assim que as leis forem modificadas de modo a permitir que ela e outros grupos o façam.

O porta-voz da Irmandade apareceu na televisão estatal alguns dias atrás - a primeira vez que isso é feito pelo movimento islâmico posto na ilegalidade na era de Mubarak. A Irmandade é vista com desconfiança pelos Estados Unidos, mas é considerada o único bloco verdadeiramente organizado no Egito e calcula que poderia receber até 30% dos votos em uma eleição livre.

Líderes pró-democracia pretendem levar 1 milhão de pessoas às ruas na sexta-feira numa "Marcha da Vitória" para festejar a queda de Mubarak.

O Alto Comando Militar, que assumiu a direção do país após a queda de Hosni Mubarak, estava sendo pressionado nesta quinta-feira por ativistas que reivindicavam a soltura imediata de presos políticos e o fim do estado de emergência. Um comitê que inclui um membro da Irmandade, Sobhi Saleh, além de especialistas legais e constitucionais, iria reunir-se nesta quinta-feira, enquanto os militares desmontam os mecanismos que mantinham o governo autocrático de Mubarak. Saleh disse na quarta-feira que o conselho militar comprometeu-se a revogar as leis de emergência antes das eleições.

Com Reuters

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