Exército do Iêmen entra em choque com oposição em Sanaa

Combates na capital teriam deixado ao menos 40 mortos, um dia após presidente Ali Abdullah Saleh retornar ao país

iG São Paulo |

Confrontos violentos acontecem na capital do Iêmen, Sanaa, neste sábado, um dia após o presidente Ali Abdullah Saleh retornar ao país . Segundo a oposição, choque entre manifestantes e forças de segurança deixaram ao menos 40 mortos.

AP
Manifestantes exigem renúncia de Saleh durante protesto em Sanaa, capital do Iêmen

A maior parte das mortes teria ocorrido durante um ataque do Exército iemenita na Praça da Mudança (como batizada pela oposição) durante a madrugada. Pouco após a meia-noite, forças leias a Saleh invadiram o local, que é epicentro dos protestos contra o regime. Os manifestantes também foram alvo de franco-atiradores posicionados em prédios próximos, segundo testemunhas.

A Praça, no norte da capital, é protegida pelo general dissidente Ali Mohsen Al Ahmar, que enfrenta principalmente as unidades da Guarda Republicana, corpo de elite do Exército dirigido por Ahmed, filho mais velho do presidente Saleh.

Também teriam occorido combates na madrugada de sábado na entrada do bairro de Hasaba, no norte da capital, entre as forças leais a Saleh e homens do poderoso chefe tribal Sadek Al Ahmar.

A escalada de violência neste sábado reforça o temor de que a volta de Saleh aumente as chances de uma guerra civil no Iêmen. O presidente passou mais de três meses na Arábia Saudita em tratamento médico após ter ficado ferido em um ataque ao palácio presidencial em 3 de junho.

Em nota divulgada pela agência de notícias Saba, o líder pediu às forças políticas e militares que parem com o derramamento de sangue, em alusão aos enfrentamentos que ocorreram desde o último fim de semana. Segundo ativistas, os combates deixaram cerca de 140 mortos.

De acordo com Saleh, a solução para a crise não está nas armas, mas no diálogo e na compreensão, ressaltando que o objetivo é conseguir a estabilidade e a segurança nacional.

A Casa Branca reagiu a seu retornou exigindo que cumpra acordo firmado com o Conselho de Cooperação do Golfo e abandone o poder. O porta-voz Jay Carney condenou o uso da violência no Iêmen e lançou um chamado a Saleh para que abandone o poder e permita que o país árabe "vire a página".

Saleh anunciou diversas vezes neste ano que concordaria em deixar o poder, mas voltou atrás em todas as ocasiões. A oposição teme que a última medida tomada pelo presidente, de permitir que seu vice-presidente negocie a transição, seja somente mais uma tentativa de ganhar tempo.

Com BBC, EFE e AFP

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