Exército do Egito exige investigação sobre confrontos no Cairo

Cristãos protestam em frente a hospital um dia após choques com forças de segurança deixarem 24 mortos

iG São Paulo |

As Forças Armadas do Egito, que controlam o país desde a queda do presidente Hosni Mubarak em fevereiro, exigiram nesta segunda-feira uma investigação sobre os confrontos entre cristãos coptas e forças de segurança que deixaram 24 mortos no Cairo no domingo.

A violência começou durante um protesto na capital contra um ataque a uma igreja na semana passada na província de Assuã, pelo qual os coptas responsabilizaram muçulmanos radicais. Nesta segunda-feira, novos choques ocorreram em frente ao hospital para onde grande parte das vítimas foi levada.

AFP
Homem chora em caixão de uma das 24 vítimas dos confrontos entre cristãos coptas e forças de segurança no Cairo

"O gabinete foi encarregado de formar rapidamente uma comissão de investigação para determinar o que aconteceu e adotar as medidas legais contra as pessoas cujo envolvimento nos acontecimentos fique provada", afirmou o Exército em comunicado divulgado após uma reunião de crise do Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA).

Dirigido pelo marechal Hussein Tantawi, o CSFA destacou que mantém a responsabilidade nacional de proteger o povo até que o poder seja transferido para uma autoridade eleita. As eleições devem acontecer em novembro.

Nesta segunda-feira, centenas de cristãos fizeram uma manifestação em frente ao hospital copta do Cairo. Mulheres choravam enquanto homens seguravam cruzes de madeira e alinhavam caixões vazios. Manifestantes atiraram pedras em policiais e incendiaram carros, mas não houve registro de feridos.

Os novos choques aconteceram pouco depois de o prmiê Essam Sharaf ter feito um apelo por calma ao país. Em um pronunciamento transmitido pela TV após uma visita à região onde ocorreram os confrontos na noite de domingo, Sharaf afirmou: "A ameaça mais séria à segurança do país é a provocação à unidade nacional e a alimentação da discórdia entre os filhos muçulmanos e cristãos do Egito".

Ele afirmou ainda que a violência registrada no domingo - a mais grave desde a queda de Mubarak - também estava "ameaçando a relação entre as pessoas e o Exército".

Durante a noite, a TV egípcia mostrou manifestantes em confronto com as forças de segurança e veículos militares incendiados ao lado de fora do prédio da TV estatal, onde os manifestantes haviam planejado um protesto pacífico.

Milhares de pessoas - não somente cristãos - participaram do início do protesto, com uma passeata do distrito de Shubra, no norte do Cairo, até a praça Maspero, onde está a sede da TV estatal.

Eles pediam que o conselho militar demitisse o governador da província de Assuã. Eles também acusavam a TV estatal de alimentar o sentimento anticristão. Mas os manifestantes afirmaram terem sido atacados por indivíduos em trajes civis antes dos confrontos com as forças de segurança.

A violência começou em frente à sede da TV, mas rapidamente se espalhou para a praça Tahrir, epicentro das manifestações que levaram à queda de Mubarak, no início do ano. Milhares de pessoas se envolveram nos confrontos.

As tensões sectárias vêm aumentando nos últimos meses no Egito. Os cristãos coptas - que representam cerca de 10% da população do país - acusam o conselho militar que governa o país de ser conivente com os responsáveis por uma onda de ataques contra cristãos.

Em maio, 12 pessoas morreram em ataques contra igrejas coptas. Em março, outras 13 pessoas haviam morrido em confrontos entre muçulmanos e coptas na praça Tahrir. A violência deste domingo ocorre em meio às preparações para as eleições parlamentares programadas para o dia 28 de novembro, as primeiras desde a renúncia do presidente Hosni Mubarak.

Os cristãos coptas, a minoria mais numerosa do Egito, reclamam de discriminação, incluindo uma lei que requer permissão presidencial para a construção de igrejas. Além disso, o Egito apenas reconhece conversões do cristianismo para o islamismo, mas não o contrário.

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