Exército ataca cidade 'epicentro' de protestos na Síria

Segundo testemunhas, forças de segurança invadem Deraa com tanques e atiram 'para todo lado'

iG São Paulo |

Testemunhas disseram que o Exército da Síria entrou com tanques e tropas na cidade de Deraa, no sul da Síria - considerada o epicentro dos protestos que ocorrem no país há cinco semanas.

Manifestantes afirmaram que forças de segurança estavam "disparando para todo lado", e que ao menos 11 pessoas teriam morrido, de acordo com a Associated Press. Um cinegrafista amador divulgou imagens dos soldados avançando em Deraa.

AP
Imagem de vídeo feito por ativistas da oposição mostram homem jogando pedra contra tanque em Deraa, na Síria (24/04)

Testemunhas disseram que a mesquita Al-Omari, na cidade velha de Deraa, está cercada por tanques e que forças de segurança estão retirando corpos das ruas. De acordo com a agência AFP, cerca de três mil integrantes do Exército teriam entrado na cidade.

Franco-atiradores estariam disparando de tetos de casas e prédios e a energia teria sido cortada. "Eles estão disparando para todo lado e avançando por trás de blindados. A energia foi cortadas e as comunicações por telefone são praticamente impossíveis", afirmou um morador à AFP.

Testemunhas também afirmaram que forças de segurança abriram fogo contra manifestantes em um subúrbio de Damasco, capital do país. A imprensa internacional têm dificuldade para confirmar os relatos de forma independente por causa das restrições ao trabalho de jornalistas estrangeiros no país.

De acordo com testemunhas, o fim de semana foi extremamente violento no país. No domingo , a repressão a protestos teria deixado 13 mortos em Jabla, no nordestes do país. Dezenas de organizadores das manifestações também teriam sido detidos.

Na sexta-feira e no sábado , protestos aconteceram em várias cidades e foram reprimidos por forças de segurança. De acordo com a oposição, soldados abriram fogo e deixaram mais de cem mortos.

'Fronteira fechada'

Manifestantes de oposição vêm descrevendo Deraa como "território libertado", e dois integrantes do Parlamento e uma autoridade religiosa local renunciaram no sábado para protestar contra a morte de manifestantes no local.

Deraa é a principal cidade da região de Hawran e está situada a poucos quilômetros da fronteira com a Jordânia. No domingo, o ministro de Informação da Jordânia afirmou que a Síria havia fechado sua fronteira. No subúrbio de Douma, em Damasco - onde também houve manifestações em grande escala -, testemunhas disseram que autoridades fizeram buscas na região, atirando e prendendo pessoas.

O grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch pediu sanções internacionais às autoridades da Síria responsáveis pelo assassinato de ativistas de oposição. A entidade, com sede nos Estados Unidos, pediu ainda uma investigação independente sobre os episódios.

"Depois da carnificina de sexta-feira, não é mais suficiente condenar a violência", disse o vice-diretor do Human Rights Watch para o Oriente Médio e o norte da África, Joe Stork, em um comunicado. "Em face à estratégia de 'atirar para matar' das autoridades sírias, a comunidade internacional precisa impor sanções àqueles que ordenaram os disparos contra os manifestantes", afirmou.

Outros grupos, incluindo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (com base na Grã-Bretanha) e a Comissão Internacional de Juristas (sediada na Suíça), também pediram investigações a respeito das mortes.

Com AP e BBC

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