Exclusão aérea da Líbia será ampliada até Trípoli, diz general

Coalizão de forças aéreas continua a realizar missões para garantir a zona de exclusão aérea. Novos ataques foram feitos hoje

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A zona de exclusão aérea aprovada pela ONU sobre a Líbia será ampliada e logo terá uma cobertura de 1.000 quilômetros, quando chegarem à região novas aeronaves de países da coalizão, disse o chefe do comando dos EUA na África, general Carter Ham. Segundo Ham, a zona de exclusão aérea na Líbia se estenderá até a capital, Trípoli.

Nesta segunda-feira, uma base da marinha líbia situada 10 km a leste de Trípoli foi bombardeada nesta segunda-feira à noite , indicaram testemunhas que viram o local em chamas. A base naval de Boussetta foi atingida pouco depois das 19h GMT (16h de Brasília), segundo várias testemunhas. A televisão estatal líbia anunciou nesta segunda-feira à noite que a coalizão internacional bombardeava Trípoli. Disparos da defesa anti-aérea seguidos de explosões foram ouvidos à noite no setor onde está localizada a residência do líder líbio Muamar Kadafi.

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Líbios examinam armas e tanques da forças leais ao líder Muamar Kadafi destruídos após dias de ataques na região de Bengazi
O general Carter Ham informou ao Pentágono que a coalizão de forças aéreas continua a realizar missões de voo para garantir a zona de exclusão aérea e que forças de solo líbias estavam se movimentando ao sul da capital rebelde de Benghazi, mostrando "pouca vontade ou capacidade" de operar. Em entrevista coletiva, Ham disse que desde o início das operações aliadas "não foi observada nenhuma atividade de aviões (militares) líbios".

As forças de Estados Unidos e Reino Unido fizeram 12 ataques com mísseis guiados Tomahawk, e embarcações militares de França, Espanha e Itália "patrulham a região para impedir os embarques ilegais de armamento em direção à Líbia", acrescentou.

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira que o país defende a queda do líder líbio, Muamar Kadafi, mas que o esforço militar internacional tem o objetivo militar mais limitado de estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia e proteger os civis contra massacres pelas forças leais ao ditador. Obama fez as afirmações no Palácio de La Moneda, ao lado do presidente do Chile, Sebástian Piñera, na segunda etapa de seu giro pela América Latina. "Estabeleci que a política americana é a de que Kadafi precisa ir embora", disse Obama.

Nesta segunda-feira, o governo brasileiro "lamentou" nesta segunda-feira as mortes ocorridas pelos ataques da coalizão internacional às forças do líder líbio, Muamar Kadafi, e pediu que se alcance "um cessar-fogo efetivo" o mais rápido possível .

Ataques

O chefe do Estado-Maior da defesa britânica, o general David Richards, negou nesta segunda-feira que o líder líbio, Muamar Kadafi, seja alvo militar da coalizão internacional que iniciou no sábado a operação "Odisseia do Amanhecer" para reduzir a força do líder líbio e estabelecer uma zona de exclusão aérea prevista em resolução aprovada na quinta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU. A ofensiva, liderada por EUA, Reino Unido e França, conta também com a participação de Canadá, Catar, Espanha e Itália.

Questionado pela emissora "BBC" se os aliados tentaram matar Kadafi após o bombardeio em Trípoli de um edifício do palácio do coronel líbio , Richards contestou: "Não. A resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) não permite e não é algo que queremos falar mais."

As declarações do general foram feitas após o ministro da Defesa Liam Fox não ter descartado que Kadafi fosse um alvo legítimo dos bombardeios se previamente ao bombardeio se confirmasse que uma ação desse tipo não é um risco para civis. Por sua parte, o ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, declarou que não "especularia sobre os alvos". "Isso depende das circunstâncias em cada momento", afirmou.

Um oficial americano da coalizão internacional insistiu nesta segunda-feira que nem Kadafi ou sua residência eram alvos intencionais do bombardeio de domingo, que atingiu um prédio administrativo do complexo situado a cerca de 50 metros da tenda onde o líder líbio recebe geralmente seus convidados importantes. Mas o oficial - que falou sob condição de anonimato - disse que o local foi alvo por ser um centro de comando para as forças líbias.

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Prédio administrativo do complexo residencial do líder líbio foi atingido por míssil

No domingo, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, disse que matar Kadafi no marco da operação seria "insensato". Também no domingo, o diretor do Estado-Maior Conjunto dos EUA, William Gortney, afirmou que a coalizão não tem como alvo Kadafi ou sua residência, mas que sua segurança não pode ser garantida.

Em relação ao andamento da operação para aplicar a resolução 1973 da ONU, o general Richards se declarou "cautelosamente otimista" e informou que vários caças britânicos abortaram nas últimas horas um bombardeio pela presença de civis.

O centro do complexo residencial de Muamar Kadafi no bairro de Bab el Aziziya, em Trípoli, é visto destruído nesta segunda-feira, enquanto os EUA e aliados continuam a operação para reduzir a força do líder líbio. Mas o paradeiro de Kadafi - e seus planos após prometer uma "longa guerra" - permanece desconhecido.

De acordo com a agência oficial Jana, o líder líbio pediu à população de todas as regiões do país que organizem nesta segunda-feira uma "marcha popular estratégica" em direção à cidade de Benghazi (reduto da oposição no leste do país), com ramos de oliveira nas mãos para impedir "a agressão estrangeira". A agência, porém, não informou a localização de Kadafi.

A destruição do prédio aconteceu em meio a fortes explosões na capital da Líbia , Trípoli, enquanto forças aliadas intensificaram suas operações militares para estabelecer uma zona de exclusão aérea prevista em resolução aprovada na quinta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU. A ofensiva, liderada por EUA, Reino Unido e França, conta também com a participação de Canadá, Catar, Espanha e Itália.

Nesta segunda-feira, aviões franceses voltaram a decolar de suas bases para retomar pelo terceiro dia consecutivo as operações, informou o Ministério da Defesa. O dispositivo francês se reforçou nas últimas horas, em particular com o porta-aviões "Charles de Gaulle", que zarpou no domingo do porto de Tolano, sudeste da França, para se dirigir ao local de operações.

Após a nova rodada de ataques do domingo, um porta-voz do Exército líbio informou que o regime de Kadafi havia anunciado um novo cessar-fogo. Mas Tom Donilon, conselheiro para Segurança Nacional do presidente dos EUA, Barack Obama, disse que o anúncio "era uma mentira". O cessar-fogo "era uma mentira e foi imediatamente violado" pelo regime líbio, afirmou Donilon à imprensa no Rio de Janeiro, onde Obama encerrou no domingo sua viagem ao Brasil.

Em uma declaração no Pentágono, Gortney disse que a ofensiva aliada iniciada no sábado "foi muito efetiva", não tendo sido detectada nenhuma atividade aérea da Líbia. Segundo ele, a capacidade de defesa antiaérea líbia foi "fortemente atingida" pelos ataques de aviões e mísseis da coalizão, o que permite a instalação "efetiva" de uma zona de exclusão aérea sobre o país, como determina a resolução da ONU.

"Benghazi (reduto da oposição e epicentro dos protestos no leste do país) não está completamente protegida de ataques das forças de Kadafi, mas certamente está sob menor ameaça do que ontem (sábado)", afirmou. "Acreditamos que as forças de Kadafi estão sob estresse considerável e sofrendo com isolamento e confusão", acrescentou.

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Rebelde observa carro das forças de Kadafi destruído por ataque da coalizão em estrada entre Benghazi e Ajdabiyah
Em um discurso transmitido pela televisão estatal líbia, Kadafi prometeu uma vitória contra o que chamou de "novo nazismo" e disse que está "armando todos os líbios". "Estamos em nossa terra. Os líbios estão unidos atrás de um comando unificado. Lutaremos em uma frente ampla", disse Kadafi, que qualificou os líderes aliados de "selvagens e criminosos".

No sábado à noite, ele acusou as potências ocidentais de "colonialismo" e pediu ao povo que empunhe armas para defender a revolução que ele lidera. "Essa agressão só torna o povo líbio mais forte e consolida sua vontade", disse. Contra os inimigos, disse, o regime abrirá "os depósitos de armas para defender a unidade, soberania e poder da Líbia".

Sucesso inicial

Segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, o almirante Michael Mullen, o início da operação internacional destinada a destruir as defesas aéreas do regime líbio e estabelecer uma zona de exclusão aérea no país "teve êxito" e interrompeu a ofensiva do governo sobre Benghazi.

Ao programa "The Week", Mullen disse as tropas leais a Kadafi "já não estão marchando sobre Benghazi". Os comentários foram feitos depois de barcos de guerra americanos e um submarino britânico dispararem no sábado ao menos 110 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra locais de defesa antiaérea do regime líbio.

O Conselho de Segurança da ONU autorizou na quinta-feira o uso da força e a imposição de uma zona de exclusão aérea para proteger a população líbia da contraofensiva lançada por Kadafi contra a rebelião que, desde meados de fevereiro, tomou o controle de várias cidades.

*AP, AFP EFE e New York Times

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