EUA reconhecem rebeldes como autoridade legítima da Líbia

Reconhecimento de Washington e de membros de Grupo de Contato abre caminho para liberação de dinheiro para opositores de Kadafi

iG São Paulo |

Os EUA e outros países reconheceram formalmente nesta sexta-feira o Conselho Nacional de Transição (CNT) - principal grupo de oposição da Líbia - como governo legítimo do país do norte da África até que uma nova autoridade interina seja criada.

AP
Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, é vista com chanceler britânico, William Hague, durante reunião do Grupo de Contato sobre a Líbia em Istambul, Turquia
A decisão, que declarou o regime de Muamar Kadafi não mais legítimo, potencialmente abrirá caminho para que os rebeldes recebam auxílio financeiro de que urgentemente necessitam. "Isso quer dizer que descongelaremos uma certa quantidade de bens pertencentes ao Estado líbio, já que o CNT é que asume agora essa responsabilidade", afirmou o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé.

Horas depois, Kadafi afirmou que a decisão é irrelevante. "Podem reconhecer o chamado CNT um milhão de vezez, isso não significa nada para o povo líbio, que vai pisotear suas decisões", afirmou, em mensagem para partidários reunidos em Zliten, 150 km a leste de Trípoli. "Ninguém pode representar o povo líbio, nem mesmo Kadafi", acrescentou.

O reconhecimento do CNT foi anunciado em Istambul, Turquia, na quarta reunião do Grupo de Contato sobre a Líbia, que, entre seus 42 membros, inclui EUA, França e Reino Unido, além de Estados árabes aliados, como o Catar, Kuwait e Jordânia.

"Kadafi deve deixar o poder seguindo etapas definidas que serão anunciadas publicamente", segundo trechos da declaração final da reunião, em que se pede a formação de um governo provisório que garanta uma transição pacífica do poder. No encontro, os participantes discutem o modo de obter o afastamento do coronel Kadafi, o processo de transição no país africano e um eventual cessar-fogo.

"O cessar-fogo faz parte do processo político. Não se trata apenas de pararmos de disparar, mas de as forças de Kadafi retornarem a seus quartéis. Queremos que haja uma supervisão da ONU que seja acompanhada de um esforço humanitário internacional", afirmou uma fonte europeia referindo-se à ofensiva internacional lançada contra o regime em março.

Participam do encontro a secretária de Estado americano, Hillary Clinton, e cerca de 15 ministros das Relações Exteriores de vários países, entre eles Franco Fattini, da Itália, e William Hague, do Reino Unido.

No total, representantes de 40 países compareceram à reunião, que ocorre em um palácio às margens do estreito de Bósforo. China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização da ONU, foram convidadas para o encontro, mas Moscou - hostil à campanha militar da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) contra o regime líbio - negou-se a comparecer.

Também participa da reunião o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, que rejeitou as acusações das forças de segurança líbias de que os bombardeios da Aliança Atlântica teriam causado a morte de mais de 1,1 mil civis no país.

*Com AP, AFP e EFE

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