Governo diz que americanos podem estar em perigo por causa da tentativa de Damasco de atribuir violência a estrangeiros

O governo dos EUA pediu que seus cidadãos deixem a Síria, em meio aos confrontos entre as forças de segurança e manifestantes da oposição em diversas cidades do país. O Departamento de Estado americano comunicou também que parte de seu corpo diplomático e familiares destes devem abandonar o território sírio.

Os EUA dizem que as restrições impostas pelo governo em Damasco dificultam a avaliação sobre a situação da segurança na Síria.

O comunicado da Chancelaria adverte contra a ida de cidadãos americanos à Síria alegando que eles podem estar em perigo, diante da tentativa de Damasco de atribuir a culpa da violência aos estrangeiros.

Também nesta terça-feira, Grã-Bretanha, França e Itália pediram que a Síria acabe com a repressão violenta contra os protestos antigovernistas. Em uma declaração conjunta, a França e a Itália pediram que a União Europeia e a ONU pressionem o governo da Síria para que seja suspensa a repressão aos manifestantes de oposição, que organizaram protestos em várias cidades do país árabe. "Juntos, mandamos um forte apelo para as autoridades em Damasco pararem com a repressão violenta de demonstrações pacíficas", disse o premiê italiano, Silvio Berlusconi. Ao seu lado, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse "concordar com Berlusconi que a situação na Síria se tornou inaceitável".

Na segunda-feira, Washington havia levantado a possibilidade de aplicar novas sanções contra a Síria, em resposta à "violência brutal" empregada contra manifestantes, segundo um porta-voz da Casa Branca. As possíveis novas sanções poderiam incluir o congelamento de ativos e a proibição de negócios com os Estados Unidos.

Os EUA já adotam uma série de sanções contra a Síria. Desde 2004, está proibida a exportação ao país de produtos que contenham mais de 10% de componentes manufaturados americanos. Em 2006, foram aplicadas sanções contra o Banco Comercial da Síria.

Há ainda sanções específicas impedindo que determinados cidadãos e entidades da Síria tenham acesso ao sistema financeiro americano. Os Estados Unidos suspeitam que pessoas e entidades incluídas nessas sanções tenham participação em atividades de proliferação de armas de destruição em massa, sejam associadas à rede Al-Qaeda e ao grupo Taleban ou participem de atividades com o objetivo de desestabilizar o Iraque e o Líbano.

ONU

Nesta terça, o Conselho de Segurança da ONU deve discutir, em Nova York, um esboço de documento feito por países europeus para condenar a violência na Síria. Segundo diplomatas, o texto pede moderação por parte do governo sírio e apoia o chamado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por uma investigação sobre a morte de manifestantes.

O chanceler britânico, William Hague, pediu pelo fim da "repressão violenta" na Síria e disse que Londres vai enviar um "forte sinal" de repúdio a Damasco, por meio do Conselho de Segurança e da União Europeia.

Também nesta terça-feira, o Exército sírio enviou reforços à cidade de Deraa, no sul, onde dispara contra os habitantes, um dia depois de matado 25 pessoas, segundo testemunhas, para pôr fim aos protestos contra o governo.

Ativistas dizem que mais de 350 pessoas morreram desde o início das manifestações antigoverno, em março. Não há, no entanto, informações independentes sobre o número total de mortos.

Imagem de vídeo feito por ativistas da oposição mostram homem jogando pedra contra tanque em Deraa, na Síria (24/04)
AP
Imagem de vídeo feito por ativistas da oposição mostram homem jogando pedra contra tanque em Deraa, na Síria (24/04)

Ao mesmo tempo, o governo sírio afirmou em comunicado que suas tropas haviam "restaurado a tranquilidade" no país. Também afirmou ter detido cidadãos - apesar da suspensão, na última semana, da lei de estado de emergência no país -, que serão levados à Justiça.

O comunicado, divulgado pela mídia estatal, diz que Damasco enviou forças de segurança a diversas cidades a pedido dos próprios cidadãos, preocupados com "extremistas armados".

Na segunda-feira, testemunhas disseram que o Exército promoveu uma ofensiva na cidade de Deraa (sul), usando tanques, cerca de 5 mil soldados e franco-atiradores. Segundo opositores - que pedem reformas políticas -, mais de 20 pessoas morreram. Há relatos de que as forças de segurança também tenham aberto fogo contra manifestantes em um subúrbio de Damasco.

Com BBC

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