EUA: Kadafi está 'delirando' e 'não tem condições de governar'

Embaixadora americana da ONU diz que presidente da Líbia está 'distante da realidade' e 'massacra o próprio povo'

BBC Brasil |

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Horas depois de uma entrevista em que disse ser "amado" pelo seu povo, o líder líbio, Muamar Kadafi, foi qualificado de "delirante" por uma alta porta-voz do governo americano. A embaixadora dos Estados Unidos junto à ONU, Susan Rice, disse na segunda-feira que Kadafi está "distante da realidade" e "não tem condições de governar".

Horas antes, o líder líbio concedeu entrevista aos jornalistas Jeremy Bowen, da BBC, e Christiane Amanpour, da rede ABC, afirmando ser amado pelo povo líbio. "Eles me amam, todo o meu povo me ama. Todos eles. Eles morreriam para me proteger", disse Kadafi, voltando a repetir que as manifestações em seu país estão sendo causadas pela rede extremista Al-Qaeda.

Para Susan Rice, as declarações de Kadafi "mostram como ele está incapaz de governar e como está distante da realidade". "Francamente, parece um delírio que ele consiga rir em uma entrevista com um jornalista internacional enquanto massacra seu próprio povo", criticou a embaixadora. "Isso torna ainda mais importante os passos urgentes que tomamos na semana passada, no plano doméstico e na ONU. E vamos continuar a manter a pressão."

Entrevista

Na entrevista, Kadafi negou que haja protestos contra o governo na capital do país, Trípoli. Ele também voltou a dizer que os manifestantes contra o governo estão drogados e agindo sob influência da Al-Qaeda.

Kadafi riu quando, durante a entrevista, foi sugerida a possibilidade de que ele deixasse a Líbia, e disse se sentir traído pelos líderes mundiais que estão pressionando pela sua deposição, acusando-os de querer colonizar a Líbia.

Questionado se cogita renunciar, ele disse que não tem cargo oficial ao qual renunciar e voltou a insistir que o poder está com o povo. "Se eles quiserem que eu renuncie, vou renunciar do quê?", disse Kadafi, que está no poder desde 1969. Ele disse também que ordenou a seus partidários que não atirassem contra os manifestantes.

Pressão

Mais cedo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, exortou o líder líbio a "sair já" do poder. Ela acusou Kadafi de usar "mercenários e bandidos" para atacar civis desarmados e de executar soldados que se recusaram a alvejar seus concidadãos.

Desde que conseguiu retirar a maioria dos americanos da Líbia, o governo do presidente Barack Obama está intensificando a pressão contra o regime de Kadafi. Na segunda-feira o Departamento do Tesouro americano disse ter bloqueado bens de Kadafi e de sua família, no valor de US$ 30 milhões. O subsecretário do Tesouro para terrorismo, David Cohen, afirmou que a quantia foi a maior já bloqueada pelo órgão.

A ordem de congelar os bens havia sido assinada por Obama na sexta-feira, em resposta à violenta repressão aos protestos. Além disso, o Pentágono ordenou um reposicionamento das forças militares americanas na região. As principais bases do EUA se localizam no sul da Itália. Segundo o Pentágono, o reposicionamento permitirá "mais flexibilidade no momento em que decisões forem tomadas".

Horas antes, governos de diversos países condenaram a violência do regime contra os manifestantes que têm saído às ruas da Líbia nas últimas duas semanas, e a União Europeia aprovou sanções e um embargo na venda de armas contra o país norte-africano.

No sábado, outras sanções haviam sido impostas pelo Conselho de Segurança da ONU. Há relatos de centenas de mortos em confrontos no país, em um momento em que o líder líbio está acuado e sem o controle de parte das cidades do leste da Líbia.

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