EUA garantem que Níger pretende prender filho de Kadafi

Em Trípoli, líder do Conselho Nacional de Transição diz que o Islã será 'principal fonte da legislação' da nova Líbia

iG São Paulo |

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, afirmou nesta segunda-feira que as autoridades do Níger estão dispostas a deter Saadi Kadafi, filho do líder deposto da Líbia. "Nós confirmamos com o governo do Níger que Saadi cruzou a fronteira e que eles estão em processo ou já o levaram à capital Niamey e pretendem prendê-lo", disse.

Reuters
Saadi Kadafi, filho do coronel líbio, se refugiou no Níger com grupo (foto de arquivo)

Saadi está entre os 32 membros do círculo íntimo de Kadafi que foram para o Níger desde 2 de setembro, segundo informou nesta segunda o primeiro-ministro nigerino, Brigi Rafini. Esses líbios cruzaram a fronteira em quatro grupos separados e foram aceitos, de acordo com o premiê, por "razões humanitárias". O último grupo, composto por Saadi e outras oito pessoas ligadas ao seu pai, foi "interceptado" no domingo no norte do país pelas forças de defesa e de segurança nigerinas.

As chegadas mais recentes ao país africano incluem Saadi, o general Al-Rifi Ali al-Sharif, chefe da Aeronátutica líbia antes da queda do regime, o general Ali Khana, chefe da guarda de Kadhafi e das forças líbias de Obari, localizada ao sul da Líbia, e o general Mahammed Abydalkarem, comandante da região militar de Murzuk, extremo sul da Líbia.

O governo do Níger, que reconheceu oficialmente o Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, disse que a nação africana respeitaria seus compromissos para com o Tribunal Penal Internacional (TPI) se Kadafi ou seus filhos entrassem no país. O TPI emitiu ordens de prisão contra Kadafi, seu filho Saif al-Islam e contra Abdullah al Senusi, chefe da inteligência militar do regime.

"Pelo que sabemos, entre as 32 pessoas presentes em Níger, nenhuma é alvo de mandado de prisão ou de busca pelas instâncias (judiciais) internacionais", assegurou nesta segunda Rafini.

Em Washington, Nuland confirmou que Saadi Kadafi não está na lista de indivíduos procurados sob a resolução 1970 e insistiu que o governo do Níger deixou claro para o CNT que irá cooperar sobre a fuga dos aliados de Kadafi.

Discurso

O líder do CNT, Mustafá Abdul Jalil, afirmou que o Islã será "a principal fonte da legislação" da nova Líbia. Ele deu essa declaração durante seu primeiro discurso público em Trípoli, que aconteceu na Praça dos Mártires, diante de milhares de presentes.

AFP
Líder do CNT, Mustafá Abdul Jalil, realizou seu primeiro discurso público em Trípoli

"Não aceitamos nenhuma ideologia extremista de direita ou de esquerda. Somos um povo muçulmano, com um Islã moderado, e vamos preservar essa via", completou. Jalil disse também que a "libertação" de Trípoli foi um "milagre ocorrido com um mínimo de perdas". "Vocês estarão conosco, contra todos aqueles que tentarem roubar nossa revolução", acrescentou.

A aparição do líder do CNT esteve rodeada de rígidas medidas de segurança. O perímetro da Praça dos Mártires foi fechado ao trânsito.

Também nesta segunda-feira, uma estação de TV com sede na Síria que transmitiu mensagens de Kadafi no passado disse que ele ainda está na Líbia, mas não pode aparecer na televisão por questões de segurança.

"Isso destinava-se a mostrar o líder entre seus combatentes e seu povo, liderando a luta a partir de território líbio, e não da Venezuela ou de Níger ou de qualquer outro lugar", disse Mishan Jabouri, proprietário do canal Arrai, aos telespectadores.

Ele leu um texto segundo o qual Kadafi diz: "não podemos abrir mão da Líbia para a colonização mais uma vez... Não há mais nada a fazer a não ser lutar até a vitória."

* Com AFP, AP e Reuters

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