EUA fecham embaixada na Síria e retiram diplomatas do país

Após intensificar pressão para a saída de Assad, EUA decidem fechar embaixada em Damasco por conta da violência

iG São Paulo |

Os Estados Unidos fecharam sua embaixada na capítal síria de Damasco nesta segunda-feira, no que representa um aumento da pressão para que o presidente do país, Bashar al-Assad, deixe o poder. O Reino Unido, por sua vez, convocou para consultas seu embaixador na Síria assim como o embaixador desse país em Londres.

Os EUA retiraram todos os diplomatas do país enquanto as forças sírias intensificaram os ataques na cidade de Homs , um dos redutos da oposição. A ofensiva começou no sábado, mesmo dia em que a Rússia e a China vetaram uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) para pôr fim à brutal repressão contra os dissidentes.

Saiba mais: Forças de segurança da Síria renovam ataque a Homs

AP
Foto de 20 de junho mostra o embaixador americano na Síria, Robert Ford, cobrindo seu nariz durante visita à vala comum em Jisr el-Shughour, norte do país

O embaixador americano, Robert Ford, informou as autoridades sírias da decisão de sair do país na manhã desta segunda, disseram autoridades do Departamento de Estado. Dois diplomatas viajaram em aviões, enquanto outros seguiram por via terrestre até a Jordânia.

A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse em comunicado que Ford segue sendo o embaixador americano "para a Síria e seu povo", e disse que ele continuaria seu trabalho no país, mantendo contatos com os grupos de oposição e dando seu apoio à "pacífica transição política que o povo sírio tem buscado tão bravamente".

Os Estados Unidos, seus parceiros na Europa e a maioria dos países árabes querem que Assad deixe o poder e entregue seu cargo para o vice-presidente, como parte de uma transição para a democracia.

A investida contra Homs aumentou os temores da oposição de que Assad vai aumentar a violência contra os rebeldes, uma vez que a proteção da China e da Rússia contra quaisquer sanções da ONU continua. 

Segundo a ONU, mais de 5,4 mil pessoas foram mortas desde que a revolta, inspirada nos levantes da Primavera Árabe , teve início em março.

"Temos sido implacáveis em enviar a mensagem que é o momento para Assad sair do poder", disse o presidente americano, Barack Obama, durante entrevista para a NBC. "Essa questão não deve ser sobre 'se', mas sim sobre 'quando'."

A decisão de fechar a embaixada foi a mais drástica que os EUA tomaram até o momento nos 11 meses de violenta repressão do regime de Assad. O país prometeu aumentar a pressão para que o presidente sírio renuncie, mas descartou uma intervenção militar estrangeira.

O Departamento de Estado americano alertou que fecharia a embaixada, a não ser que o governo Assad protegesse melhor a missão, apontando para preocupações com as questões da segurança e uma série de ataques com carro-bomba.

Em Homs, as tropas sírias atacaram bairros residenciais e uma clínica improvisada para tratar feridos na brutal operação militar de sábado, que deixou mais de 200 mortos . A ação desta segunda-feira teria deixado entre 17 e 50 mortos.

O governo da Síria negou o ataque e disse que ativistas estão incendiando pneus para dar a impressão de que a cidade está sendo bombardeada. A agência estatal Sana afirmou que “homens armados” mataram três soldados e capturaram outros na região de Jabal al-Zawiya, norte do país.

Homs, cidade central à qual muitos se referem como “a capital da revolução síria”, é o epicentro da revolta popular contra Assad. Vários bairros da cidade, incluindo Baba Amr, estão sob controle de dissidentes do Exército.

Ativistas disseram temer que a decisão da China e da Rússia de bloquear a resolução da ONU fortaleça o regime. O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne grupos de oposição da Síria, afirmou que os dois países deram uma "licença para matar" a Assad.

AP
Membro do Exército Livre Sírio observa protesto em Idlib, na Síria

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, disse que a Rússia e a China estão correndo o risco de sofrer o mesmo tipo de isolamento internacional que Assad por conta do veto à resolução. Moscou e Pequim "vão se arrepender" de seus votos, disse Susan ao CBS This Morning.

A revolta teve um início em sua maioria formada por protestos pacíficos contra Assad, mas as forças do governo responderam com brutal repressão. Agora, desertores do Exército e outros civis começaram a pegar em armas para lutar, aumentando os temores de uma guerra civil no país.

A China afirmou nesta segunda-feira que foi forçada a usar seu veto, porque acreditou que a votação foi estabelecida cedo demais, antes que as partes pudessem trabalhar com propostas diferentes. Mas a China disse que quer pôr um fim à violência no país.

A China e a Rússia provocaram a ira dos EUA, da Europa e de muitos países do mundo árabe por causa do veto no fim de semana. "Na questão da Síria, a China não está apoiando ninguém nem fazendo oposição intencional a ninguém. Nós encorajamos a justiça", disse o porta-voz da chancelaria chinesa Liu Wiemin nesta segunda-feira.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, caracterizou como "indecente e histérica" a reação do Ocidente aos vetos russo e chinês. "Um provérbio diz 'o que se irrita raramente tem razão'. As declarações histéricas têm por objetivo dissimular o que acontece, ou seja, o fato de que há várias fontes de violência na Síria", prosseguiu, referindo-se à ausência no esboço de resolução da ONU a um pedido para que opositores também cessem seus ataques contra o regime.

O chanceler russo deve visitar Damasco na terça-feira, quando se reunirá com o presidente Assad. Lavrov visita o país na companhia do chefe do serviço de inteligência exterior russo, Mikhail Fradkov. Essa foi a segunda vez que Moscou e Pequim impediram o Conselho de Segurança de aprovar uma resolução contra a Síria.

Com AP

    Leia tudo sobre: síriamundo árabeembaixadaviolênciaassad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG