EUA fazem primeiro ataque com avião não-tripulado na Líbia

Segundo vice-chanceler líbio, tribos leais a Kadafi deram ultimato ao Exército para que expulsem rebeldes de Misrata

iG São Paulo |

Os Estados Unidos realizaram seu primeiro ataque com avião não-tripulado na Líbia neste sábado, informou o porta-voz do Pentágono, capitão Darryn James. Ele não deu detalhes sobre o alvo, mas afirmou que operação ocorreu no início da tarde (horário local).

Aviões não-tripulados já são usados pelos Estados Unidos na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. Na quinta-feira, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, anunciou que as aeronaves também seriam usadas na Líbia, por causa da "situação humanitária" no país.

AP
Rebelde inspeciona tanque abandonado em Misrata, na Líbia (22/04)

Segundo Gates, os aviões Predator, armados com mísseis, teriam condições de atingir alvos militares do regime líbio de forma mais eficaz. Isso daria maior "precisão" às ações americanas. Os EUA participam dos esforços coordenados pela Organização do Tratado do Atlêntico Norte (Otan) em apoio aos rebeldes que lutam contra o regime do líder líbio, Muamar Kadafi.

A ação militar na Líbia foi autorizada no mês passado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, com o objetivo de proteger os civis de ataques das forças leais a Kadafi. Os rebeldes controlam parte do leste do país, mas as forças de Kadafi dominam boa parte do oeste e a capital, Trípoli.

Ameaça tribal

Também neste sábado, tribos leais ao líder líbio disseram que, se o Exército do país não conseguir expulsar os rebeldes da cidade portuária de Misrata, eles mesmos o farão, segundo informou neste sábado o vice-chanceler líbio, Khaled Kaim.

Falando a jornalistas, Kaim disse que o Exército tem tentado manter baixo o número de vítimas civis, mas que as tribos não fariam os mesmos esforços. Os comentários ocorreram durante uma reunião entre líderes tribais e os militares na área de Misrata, principal cidade sob controle dos insurgentes no oeste da Líbia.

Segundo o vice-chanceler, as tribos reclamam que as vidas de seus integrantes estão prejudicadas devido aos combates em Misrata, que interromperam o tráfego na principal estrada costeira da região e impedem o comércio. Líderes tribais afirmam, segundo Kaim, que o porto de Misrata é de todos os líbios, e não só dos rebeldes.

"Foi colocado um ultimato para o Exército líbio. Se ele não resolver o problema em Misrata, então o povo da região (...) tomará a iniciativa", disse o vice-chanceler. Segundo ele, as tribos tentariam primeiramente persuadir os rebeldes a deixar suas armas, mas caso isto não funcione, eles deverão agir.

Nesta situação, os militares ficariam onde estão, disse Kaim. "A tática do Exército é aplicar soluções cirúrgicas, mas com os bombardeios (da Otan), isto não funciona", afirmou.

Misrata vem sendo fortemente atacada pelas forças de Kadafi há semanas. Agências de ajuda afirmam que a cidade já enfrenta uma crise humanitária e grupos de direitos humanos estimam que os combates tenham deixado mais de mil mortos.

Três navios já resgataram civis líbios e trabalhadores estrangeiros de Misrata. Uma quarta embarcação fretada pela Organização Internacional para a Migração (IOM, sigla em inglês) deverá retirar mais pessoas nos próximos dias.

Com AP e BBC

    Leia tudo sobre: líbiaotaneuazona de exclusão aéreakadafi

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG