EUA estudam sanções e congelamento de bens da Líbia

Departamento de Estado diz que punições serão coordenadas com a comunidade internacional; UE adota primeiro passos para sanções

iG São Paulo |

Os Estados Unidos estão considerando uma série de respostas à violenta crise política na Líbia, incluindo a possibilidade de sanções e congelamento de bens, informou o Departamento de Estado americano nesta quarta-feira.

"Estamos observando um âmbito completo de instrumentos e opções que estão disponíveis para alcançarmos nosso objetivo, que certamente incluem a consideração de sanções que podem ser impostas", disse o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley.

Os EUA estudam também congelar os bens do governo líbio e do líder Muamar Kadafi, mas nenhuma decisão foi tomada ainda. "Está na caixa de opções? Sim", respondeu Crowley quando questionado se o congelamento de bens está sob consideração. O porta-voz destacou que quaisquer passos futuros serão coordenados com a comunidade internacional.

O presidente americano, Barack Obama, falará sobre a situação na Líbia nesta quarta-feira ou na quinta e deve fazer "alguns" anúncios sobre a resposta dos EUA à violência contra os manifestantes, indicou a Casa Branca. Segundo o porta-voz Jay Carney, Obama analisará a situação caótica na Líbia com a secretária de Estado Hillary Clinton.

Sanções da União Europeia

Os países da União Europeia (UE) decidiram nesta quarta-feira avançar na imposição de sanções ao regime de Muammar Kadafi ao encarregar seus especialistas de apresentar uma série de medidas concretas.

Segundo informaram fontes do bloco europeu, as sanções poderiam abranger desde o congelamento de bens de dirigentes líbios, proibições para entrada em território da UE a um embargo de armas.

Esse primeiro passo para a imposição de sanções ao regime líbio foi dado durante reunião de embaixadores no Comitê Político e de Segurança da União Europeia (COPS), convocada pela chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, que na terça-feira já havia anunciado a suspensão das negociações com a Líbia.

O anúncio da União Europeia ocorreu após o presidente da França, Nicolas Sarkozy, pedir que a Europa suspenda todos os laços econômicos com a Líbia e adote sanções contra o país . O apelo foi feito enquanto a ONU conclamou os países vizinhos da Líbia a aceitar aqueles que tentam cruzar a fronteira para fugir do caos e da violência.

De acordo com os primeiros dados oficiais apresentados pelo regime de Kadafi desde o início dos protestos, a violência no país deixou 300 mortos , incluindo 58 militares. Mas há informações não confirmadas de que o número de vítimas fatais poderia ser muito maior.

Segundo a Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH), pelo menos 640 morreram, número que representa mais que o dobro do balanço oficial do governo líbio. A FIDH indica que houve 275 mortos em Trípoli e 230 na cidade de Benghazi, epicentro dos protestos.

O chanceler italiano, porém, afirmou que é "verossímil" estimar que o número de mortos nos sete dias de protestos possa chegar a mil, enquanto o líbio Sayed al-Shanuka, que integra o Tribunal Penal Internacional, disse que o número de mortos poderia ser até de 10 mil. Já o médico francês Gérard Buffet, que acaba de voltar de Benghazi, estimou que os confrontos na cidade fizeram "mais de 2 mil mortos".

Avanço da oposição

O aumento de pressão internacional contra a Líbia ocorre enquanto as forças de segurança da Líbia tentam manter o controle da capital, Trípoli, e áreas no oeste do país . Há informações de que o governo perdeu do controle da região oriental.

O ex-ministro da Justiça Mustafa Abdel Jalil, que renunciou ao cargo na segunda-feira, afirmou nesta quarta que a parte oriental "foi totalmente libertada do controle" de Kadafi, enquanto oficiais do Exército de Al-Jabal al Akhdar, no nordeste, anunciaram que se uniram aos manifestantes.

"Nós, os oficiais e os soldados das Forças Armadas na direção da região de Al-Jabal al Akhdar anunciamos nossa união total à revolução popular", disse nesta quarta-feira um porta-voz militar em um vídeo divulgado pelas emissoras "Al-Jazeera" e "Al-Arabiya".

Em mais um sinal de deserção e da perda de força do governo do presidente líbio, Muamar Kadafi, pilotos da Força Aérea líbia se recusaram a bombardear Benghazi, a segunda maior cidade do país que está sob controle da oposição, e se ejetaram do caça que pilotavam .

Há relatos de que a oposição tomou o controle de Misrata, que se tornaria a primeira grande cidade do oeste da Líbia a sair das mãos do governo. Testemunhas disseram que a população estava comemorando com um buzinaço.

A violenta repressão aos protestos provocou a renúncia de diversas autoridades do governo, como o ministro do Interior, Abdel Fattah Younes al Abidi , e da Justiça, Mustafá Abdel Yalil. Além disso, pelo menos oito embaixadores e diplomatas de alta hierarquia renunciaram a seus cargos em protesto pela violenta repressão aos protestos.

Os embaixadores que deixaram seus postos são os chefes das missões líbias na Austrália, Bangladesh, China, EUA, Índia, Indonésia, Malásia, Polônia. Diplomatas do país na Liga Árabe e na ONU também deixaram o governo .

O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Ezubedi, não vai à representação diplomática em Brasília nesta quarta-feira, informou uma assessora ao iG . Segundo ela, Ezubedi "está sofrendo muito com tudo isso. É o povo dele que está morrendo ".

A Embaixada da Líbia na Áustria emitiu um comunicado nesta quarta-feira dizendo que "condena a violência excessiva contra manifestantes pacíficos" e afirmou que está representando "o povo líbio".

Com AP, EFE, AFP, Reuters e BBC

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