EUA e Turquia querem prover assistência 'não letal' para oposição

Anúncio sobre de doação equipamentos de comunicação e suprimentos médicos ocorre no dia em que Ancara declara fechamento de embaixada em Damasco

iG São Paulo |

A Casa Branca anunciou nesta segunda-feira que Tuquia e Estados Unidos planejam prover assistência “não letal”, como equipamentos de comunicação e suprimentos médicos, para grupos de oposição dentro da Síria , e tentará convencer outros aliados a fazer o mesmo, de acordo com o jornal americano The New York Times.

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Síria chora depois de ataque contra sua casa por forças leais a Assad em Idlib, no norte do país (24/3)

Em mais um sinal de que as relações entre Turquia e Síria não vão bem, o Ministério das Relações Exteriores sírio anunciou nesta segunda-feira que Ancara retirará seu corpo diplomático de Damasco e fechará sua embaixada. Com a medida, a Turquia se junta a um grupo de países, incluindo os EUA, membros da União Europeia e a Liga Árabe , que tomaram passos semelhantes para apofundar o isolamento diplomático do governo do presidente sírio, Bashar al-Assad.

O fechamento da embaixada turca ocorre dias antes da conferência que a Turquia planeja para 1º de abril em Istambul reunindo os chamados “Amigos da Síria”, grupo cujos membros pedem a renúncia de Assad. Oficiais turcos disseram que a embaixada foi fechada devido à deterioração da segurança na capital síria, onde os confrontos entre forças leais a Assad e opositores se intensificaram na última semana.

Autoridades, no entanto, disseram que Ancara não fechará seu consulado na cidade de Aleppo , norte da Síria.

Oposição em acordo

Nesta terça-feira, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal órgão da oposição síria e outros grupos opositores se reúnem nesta segunda e terça-feira em Istambul para tratar de estratégias para conseguir colocar fim ao regime de Assad.

Segundo Emad Hosari, membro do CNS, o encontro tem o objetivo de elaborar um "documento político", no qual a oposição entre em acordo sobre os mecanismos para conseguir a queda do regime de Assad.

Os diferentes grupos opositores também estudarão um projeto político para o próximo período transitório na Síria, acrescentou Hosari. "Não há lugar para as diferenças agora. Todos temos o mesmo desejo que a reunião dos Amigos da Síria, prevista para o dia 1º de abril, tenha sucesso", disse o opositor ao acrescentar que um dos objetivos do encontro de hoje em Istambul é coordenar suas posturas antes da reunião do próximo mês na cidade turca.

Opositores sírio s são suspeitos de usar crianças como combatentes, violando as convenções internacionais que proíbem tal prática, disse uma alta funcionária da ONU na segunda-feira. "Estamos recebendo acusações sobre crianças com o Exército Sírio Livre", disse Radhika Coomaraswamy, representante especial da ONU para crianças e conflitos armados, em resposta a uma pergunta sobre os rebeldes sírios. "Não pudemos verificar ou checar a informação", disse.

Não é a primeira vez que os rebeldes sírios são acusados de abusos. Na semana passada, a entidade de direitos humanos Human Rigths Watch disse que grupos armados de oposição a Assad estavam sequestrando, torturando e assassinando policiais, militares e civis leais ao governo.

Annan

Também nesta segunda-feira o enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan , disse que a ONU poderia enviar uma missão de observadores para verificar eventuais compromissos entre o governo sírio e a oposição.

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"Não descarto que uma missão da ONU possa ser enviada à Síria no futuro para garantir que as partes cumpram com seus compromissos", disse Annan em Moscou.

AP
Imagem de vídeo amador mostra fumaça decorrente de confronto entre forças do governo e opositores em Homs
Um video postado por ativistas nesta segunda-feira mostrou chamas e fumaça preta em duas areas da cidade de Homs. Opositores disseram que ao menos nove pessoas morreram nos confrontos em Homs, enquanto outros dez teriam morrido em outras regiões do país.

O governo americano anunciou que já começou a prover ajuda humanitária a grupos da oposição, inclusive ao Exército Livre da Síria, formado por desertores. O acordo com a Turquia formalizaria e aumentaria a ajuda que já vem sendo fornecida, ainda que autoridades insistam que nenhum tipo de armamento seria enviado.

*Com AP e EFE

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