EUA e Reino Unido pressionam por liberação de fundos líbios congelados

Diplomatas tentam convencer África do Sul, que se opõe ao descongelamento; Liga Árabe reconhece conselho rebelde como governo legítimo líbio

iG São Paulo |

Os Estados Unidos e o Reino Unido estão pressionando para a liberação de fundos para rebeldes líbios , que pedem o descongelamento de US$ 5 bilhões em dinheiro líbio que está em contas no exterior.

AP
Berlusconi e Mahmoud Jibril, chefe do conselho rebelde líbio, durante encontro em Milão, na Itália
Os aliados ocidentais estão fazendo intensa pressão diplomática contra a África do Sul para que recue da posição contrária ao descongelamento de US$ 1,5 bilhão do regime de Muamar Kadafi acordado pelas Nações Unidas, com potências ocidentais argumentando que os fundos precisam ser transferidos com urgência para o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes líbios.

Enquanto o CNT busca estabelecer autoridade na Líbia, depois de tomar o quartel-general de Kadafi, EUA e Reino Unido querem um comitê no Conselho de Segurança da ONU para supervisionar sanções contra a Líbia com o objetivo de descongelar o US$ 1,5 bilhão em um encontro em Nova York nesta quinta-feira.

Segundo a versão online do jornal Financial Times, diplomatas britânicos disseram que a África do Sul, que mantém laços estreitos com o regime de Kadafi, está relutante em reconhecer o CNT como governo legítimo da Líbia. Atualmente, a África do Sul é um dos membros 15 países do Conselho de Segurança, que precisa ter uma votação unânime para descongelar os fundos. Segundo diplomatas, a África do Sul disse que estaria disposta a descongelar inicialmente apenas US$ 500 mil para prover ajuda humanitária ao povo líbio.

O Conselho de Segurança se prepara para votar uma resolução sobre a liberação de US$ 1,5 bilhão em bens líbios em bancos americanos. Analistas estimam que existam cerca de US$ 110 bilhões em bancos ao redor do mundo.

Nesta quarta-feira, a Itália prometeu transferir na próxima semana ao CNT US$ 503,8 mil. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, a quantia diz respeito a fundos líbios congelados nos bancos italianos.

Na quarta-feira, a França também anunciou a intenção de descongelar fundos líbios. A Itália, antiga potência colonial na Líbia e principal sócio comercial do país até o início do conflito em fevereiro, espera reativar as instalações de petróleo e gás no país.

Reunião

Além de ajuda humanitária, a quantia de US$ 5 bilhões solicitada pelos rebeldes visa o pagamento dos salários de funcionários públicos, além da retirada de minas terrestres e a reconstrução de escolas e hospitais. 

Na reunião do grupo de contato para debater a questão, que teve a participação de representantes da França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Itália, Alemanha e Turquia, o representante do CNT Aref Ali Nayed explicou ainda que os rebeldes têm como prioridade também reativar a economia, retomar a produção e a exportação de petróleo, e restabelecer a infraestrutura petroleira.

O dinheiro do regime líbio no exterior foi congelado em 26 de fevereiro por decisão da ONU, diante da repressão à oposição na Líbia. O Grupo de Contato, criado em Londres em 29 de março, compreende cerca de 30 países e várias organizações internacionais, entre elas a ONU, União Europeia e Liga Árabe.

Também nesta quinta-feia a Liga Árabe reconheceu o CNT como único representante legítimo do povo líbio. O órgão decidiu que o CNT ocupará no sábado o lugar da Líbia na reunião dos ministros de Relações Exteriores, que será realizada na capital egípcia, Cairo. "Nós concordamos que é hora de a Líbia reaver seu assento e lugar legítimo na Liga Árabe. O CNT será o representante legítimo do Estado líbio", disse o secretário-geral da entidade, Nabil Elaraby.

Navio

Ainda nesta quinta-feira, um barco fretado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) para retirar estrangeiros retidos em Trípoli chegou ao porto da capital líbia.

De acordo com a porta-voz da OIM, Jemini Pandya, a prioridade é "garantir que as condições de segurança na cidade sejam suficientemente boas para realizar a operação". O navio, com capacidade para 300 pessoas, partiu na segunda-feira de Benghazi e estava previsto chegar à capital no dia seguinte, mas não conseguiu atracar no porto de Trípoli conforme o plano previsto por causa dos intensos combates na capital.

*Com EFE, AFP, Reuters e AP

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