EUA descartam enviar tropas em eventual missão de paz na Líbia

Pentágono afirma que eventual operação internacional no país não contará com soldados americanos em terra

iG São Paulo |

O governo dos Estados Unidos não planeja enviar soldados em qualquer tipo de missão de paz internacional na Líbia caso o líder Muamar Kadafi deixe o poder, afirmou nesta segunda-feira o porta-voz do Pentágono, coronel Dave Lapan.

“Mesmo que exista uma missão de transição liderada pela ONU ou pela Otan, ela não incluirá tropas americanas em terra”, afirmou Lapan. “Sobre isto, nossa posição não mudará.”

Lapan acrescentou que os EUA acreditam que Kadafi ainda está na Líbia, embora não saibam seu paradeiro exato. “Não temos nenhuma informação de que ele deixou o país”, explicou. Segundo o porta-voz, está claro que os rebeldes “estão vencendo”. “Eles estão tomando a cidade e as instituições”, disse.

No início da madrugada, o canal de TV oficial do país foi tirado do ar, e a transmissão também foi interrompida na rede Al-Libiya, que pertence a Saif al-Islam. Segundo moradores, os sinais foram interrompidos pelos rebeldes. Há também muitos relatos de pessoas em Trípoli que estão conseguindo entrar na internet, cujo acesso havia sido cortado no início do conflito, há seis meses.

Obama

Em um pronunciamento gravado e divulgado nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que a situação na Líbia ainda é "fluida e incerta", mas garantiu que o regime de Kadafi está em seus momentos finais.

"Ainda restam incerteza e elementos que representam ameaças", afirmou. "Mas algo está claro: o regime de Kadafi está chegando ao fim e o futuro da Líbia está nas mãos do povo."

Na noite de domingo, Obama já tinha afirmado que Kadafi " precisa reconhecer que não controla mais a Líbia " e "abandonar o poder de uma vez por todas". Em comunicado, o líder reforçou que o governo dos EUA reconhece o CNT como a autoridade de governo legítima do país.

O presidente americano pediu que o grupo rebelde demonstre a liderança necessária para conduzir o país, com respeito aos direitos do povo líbio, evitando a violência contra civis, protegendo as instituições do Estado líbio e buscando uma democracia que seja justa e inclusiva para todos os líbios.

Otan

Também nesta segunda-feira, o ex-embaixador líbio na Liga Árabe e atual representante do CNT Abdel Moneim al-Honi afirmou que o grupo não permitirá que a Otan mantenha bases no país após a queda de Kadafi.

Mais cedo, a Otan afirmou que manterá sua operação militar na Líbia até que todas as forças leais ao regime tenham se rendido. Em comunicado, a Otan pediu que Kadafi renuncie imediatamente para salvar vidas. "Enquanto isso, nossas aeronaves continuarão a proteger a população civil", disse o texto.

Nos últimos cinco meses, a Otan realizou cerca de 7,5 mil ataques aéreos contra as forças de Kadafi. De acordo com a organização, apenas nos dois últimos dias aeronaves atacaram 40 alvos em Trípoli.

Combates

Nesta segunda-feira, violentos combates explodiram em Trípoli ao redor do quartel-general do líder líbio . Segundo um porta-voz dos rebeldes, no começo da manhã (horário local), tanques saíram do QG de Kadafi, conhecido como Bab al-Aziziya, e começaram a disparar. Uma intensa troca de tiros ainda acontece no local.

Em uma coletiva concedida em Benghazi, epicentro dos protestos e reduto opositor localizado no leste do país, o chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes líbios), Mustafa Abdul Jalil confirmou que Bab al-Aziziya e as áreas ao redor do complexo ainda não estão sob controle da oposição em Trípoli. "Não podemos dizer que os rebeldes detêm o controle completo (da capital)", disse, acrescentando que "o real momento da vitória será quando Kadafi for capturado".

Os rebeldes consolidaram no domingo o avanço iniciado sábado sobre Trípoli, enfrentando poucos bastiões de resistência em meio a sinais de que o regime de 42 anos está prestes a cair. De acordo com o representante do CNT no Reino Unido, Mahmoud Nacua, nesta segunda-feira a oposição controla 95% da capital.

Com Reuters, AFP, EFE e BBC

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