EUA darão US$ 150 milhões para transição política no Egito

Segundo secretária de Estado Hillary Clinton, quantia de cerca de R$ 249,7 milhões ajudará também na recuperação econômica do país

iG São Paulo |

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Hillary anunciou ajuda depois de se reunir com senadores para debater a situação no Egito, nesta quinta
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta quinta-feira que seu país oferecerá uma ajuda de US$ 150 milhões (cerca de R$ 249,7 milhões) para a transição política no Egito.

"Tenho prazer em anunciar hoje que estamos reprogramando US$ 150 milhões destinados ao Egito, para nos colocarmos em posição de apoiar a transição nesse país e ajudar sua recuperação econômica", disse a secretária de Estado.

Deposto após 18 dias de protestos que pediam a sua renúncia, o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak entregou o poder ao Exército em 11 de fevereiro. O Conselho Supremo das Forças Armadas encarregou o governo de continuar trabalhando para a formação de um novo gabinete.

O Exército do Egito não lançará um candidato nas eleições presidenciais de setembro , segundo informou nesta quinta-feira o major Mokhtaar Mullah. "Não haverá um candidato das forças militares", afirmou. Os militares assumiram o poder no país na semana passada, após a renúncia do então presidente Hosni Mubarak, que estava no cargo há cerca de 30 anos.

O porta-voz do Exército, general Ismail Eetman, também a reafirmou que os militares "não têm ambições para o futuro". "As Forças Armadas querem entregar o poder aos partidos civis quando estes estiverem suficientemente fortes para não desabar", disse.

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Tanques são vistos em frente ao Museu Nacional do Egito, no Cairo

Líderes da juventude egípcia começaram a formar um novo partido político nesta quinta-feira, enquanto a Irmandade Muçulmana exerce um papel cada vez mais importante na preparação das eleições pós-Mubarak, prometidas para dentro de seis meses.

A Irmandade Muçulmana tem um de seus membros no comitê constitucional, participa de um conselho criado por ativistas e já declarou que criará um partido político assim que as leis forem modificadas de modo a permitir que ela e outros grupos o façam.

O porta-voz da Irmandade apareceu na televisão estatal alguns dias atrás - a primeira vez que isso é feito pelo movimento islâmico posto na ilegalidade na era de Mubarak. A Irmandade é vista com desconfiança pelos Estados Unidos, mas é considerada o único bloco verdadeiramente organizado no Egito e calcula que poderia receber até 30% dos votos em uma eleição livre.

Líderes pró-democracia pretendem levar 1 milhão de pessoas às ruas na sexta-feira numa "Marcha da Vitória" para festejar a queda de Mubarak.

O Alto Comando Militar, que assumiu a direção do país após a queda de Hosni Mubarak, estava sendo pressionado nesta quinta-feira por ativistas que reivindicavam a soltura imediata de presos políticos e o fim do estado de emergência. Um comitê que inclui um membro da Irmandade, Sobhi Saleh, além de especialistas legais e constitucionais, iria reunir-se nesta quinta-feira, enquanto os militares desmontam os mecanismos que mantinham o governo autocrático de Mubarak. Saleh disse na quarta-feira que o conselho militar comprometeu-se a revogar as leis de emergência antes das eleições.

*Com Reuters e AFP

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