EUA consideram permissão de entrada para presidente iemenita

Segundo autoridade, governo Obama está considerando se aceita ou não a entrada de Saleh no país, unicamente para tratamento médico

iG São Paulo |

O governo Obama está considerando se aceita ou não um pedido para permitir a entrada do presidente do Iêmen nos Estados Unidos para tratamento médico, em meio a uma nova onda de violência e tensão política no estratégico país do Oriente Médio.

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Uma autoridade americana do alto escalão disse que o gabinete de Ali Abdullah Saleh pediu permissão para a entrada do presidente iemenita no país para a realização de um tratamento médico especial. Saleh ficou ferido após um ataque em junho contra o seu palácio presidencial , em meio aos protestos no país que pediam a sua deposição.

Segundo as agências internacionais que citam como fonte autoridades americanas, o pedido está sendo considerado e só seria aprovado por "razões médicas legítimas". Até o momento, a Casa Branca não teceu comentários sobre as afirmações feitas por Saleh no sábado de que ele estaria a caminho dos Estados Unidos para acalmar as tensões em seu país, e não para realizar tratamentos médicos.

O oficial americano, que falou sob condição de anonimato, não disse quando o governo Obama anunciaria sua decisão sobre o pedido de Saleh. Mas ele afirmou que o gabinete de Saleh indicou que ele deixaria o Iêmen em breve e passaria algum tempo em outro país enquanto aguardava a possibilidade de entrar nos EUA.

Manifestantes começaram a protestar contra Saleh e pedir sua renúncia em janeiro. O governo iemenita respondeu de maneira agressiva, deixando centenas de civis mortos nos últimos meses.

No mês passado, Saleh assinou um acordo apoiado pelos EUA e pela Arábia Saudita para entregar o cargo ao seu vice-presidente e se comprometeu a deixar o poder em fevereiro em troca de imunidade judicial. O acordo enfureceu a oposição, que exigia que o presidente fosse julgado pelos ataques contra manifestantes.

Autoridades americanas demonstraram preocupação de que os meses de tensão no Iêmen levem a um colapso na segurança. O braço da Al-Qaeda no país levou vantagem com o conflito e solidificou sua presença no sul do país.

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O controverso acordo provocou mais pressão no país nas últimas semanas. Opositores ao governo dizem que Saleh continua a influenciar nas decisões através de seus partidários e parentes que permanecem no poder, dificultando a transição meses antes das eleições presidenciais estabelecidas para 21 de fevereiro. Muitos temem que Saleh encontrará uma maneira de se fixar no poder mesmo após a votação.

No sábado, Saleh disse que ele deixaria o país rumo aos EUA "nos próximos dias, para sair de cena e acalmar a atmosfera para a unidade do governo para realizar as eleições presidenciais". Mas ele também acrescentou que ele retornaria mais tarde como uma "figura da oposição".

Ativistas dizem que as tropas comandadas por parentes de Saleh atacaram manifestantes na capital de Sanaa no sábado, deixando ao menos nove mortos. Milhares de pessoas foram as ruas protestar contra as mortes no dia seguinte e pediram a renúncia do vice-presidente Abed Rabbo Mansour Raddi, por não cumprir a promessa de trazer os responsáveis pelo derramamento de sangue à Justiça.

Autoridades informaram que o principal assessor antiterrorista do presidente americano Barack Obama, John Brennan, convocou no domingo o vice-preisdente iemenita para pedir a ele a "máxima moderação" depois da morte dos manifestantes.

Com AP e AFP

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