EUA congelam US$ 30 bi em ativos líbios

Bloqueio de quase R$ 50 bi é o maior já feito por EUA em programa de sanções; Pentágono aproxima aviões e navios da Líbia

iG São Paulo | 28/02/2011 18:13 - Atualizada às 19:17

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Os bancos dos EUA congelaram a quantia recorde de US$ 30 bilhões (quase R$ 50 bilhões) em ativos líbios no fim de semana em resposta à ordem do governo do presidente Barack Obama para pressionar o líder líbio, Muamar Kadafi.

"Pelo menos US$ 30 bilhões de ativos do governo líbio foram bloqueados. Esse é o maior bloqueio de fundos no marco de um programa de sanções por parte dos EUA", disse David Cohen, subsecretário para Inteligência Financeira e Antiterrorista.

Segundo Cohen, o departamento esteve em contato com bancos durante o fim de semana e afirmou que um número não determinado de entidades financeiras cancelou o acesso a várias contas vinculadas ao governo da Líbia e à família Kadafi. Segundo ele, as instituições vão "limpar suas contas" para quaisquer outros fundos ligados a Kadafi e à família.

Segundo o funcionário do Tesouro, a maioria dos fundos congelados pertencem ao Banco Central da Líbia e ao Fundo de Investimento Soberano, Libyan Investment Authority, que para os EUA estão controlados por Kadafi e sua família.

A decisão se insere no programa de sanções imposto pela administração de Obama, que anunciou na sexta-feira a imposição de um embargo de armas e o congelamento de fundos do regime em resposta à violenta ofensiva de Kadafi contra os manifestantes contrários a seu governo, que já dura quase 42 anos.

O presidente dos EUA disse que a legitimidade do governo de Kadafi foi "reduzida a zero" por conta das ações que o líder tomou contra os manifestantes. Em Nova York, a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse as sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança contra a Líbia devem fazer os integrantes do governo líbio pensar sobre as consequências de suas ações. Susan afirmou ainda que não há discussões em Nova York sobre um embargo de petróleo contra a Líbia.

Em outra medida de pressão dos EUA contra o governo Kadafi, o Pentágono anunciou nesta segunda-feira que está enviando algumas forças militares para a região perto da Líbia, para o caso de elas serem necessárias.

O porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA, coronel Dave Lapan, disse que os estrategistas estão trabalhando em várias opções e em planos de contingência enquanto a violência voltada para a deposição do governo continua no país do norte da África. Segundo Lapan, como parte do plano, o Pentágono está repondo algumas forças navais e aéreas.

Os EUA têm uma presença militar regular no Mar Mediterrâneo e, mas ao sul, têm dois porta-aviões na área do Golfo Pérsico. A sede da Sexta Frota da Marinha fica no Bahrein.

Foto: AFP

Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, é vista em tela de TV durante discurso na 16ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU

O anúncio do Pentágono foi feito depois de a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmar que "todas as opções estão sobre a mesa" para interromper a violenta repressão na Líbia.

"Continuaremos explorando todas as opções possíveis de ação (para pressionar o regime a frear a violência). Como já dissemos, nada está fora de cogitação enquanto o governo líbio continuar ameaçando e matando cidadãos", afirmou Hillary, ao discursar perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em que pediu aos países para que aprovem medidas que se somem às que já receberam sinal verde do Conselho de Segurança, como o embargo de armas e o congelamento dos bens do dirigente líbio.

"Trabalhamos com a ONU, a Cruz Vermelha e outras organizações para buscar uma solução humanitária para a crise líbia, mas ao mesmo tempo seguimos explorando outras ações", indicou.

A secretária de Estado americana também pediu nesta segunda-feira que Kadafi renuncie imediatamente e ponha fim à violência contra oposicionistas no país. "O povo da Líbia deixou claro: é chegada a hora de Kadafi sair. Agora. Sem mais violência", afirmou.

A secretária de Estado disse que a democracia trará mais estabilidade à região. "Sem passos concretos para governos representativos e transparentes e para economias abertas, o abismo entre as pessoas e seus líderes só vai aumentar, e a instabilidade se aprofundará ", disse.

Mercenários

Hillary acusou Kadafi e seus partidários de usar "mercenários e criminosos" para atacar civis desarmados e de executar soldados que se recusam a apontar armas para os cidadãos. "Kadafi e os que estão ao lado dele devem ser considerados responsáveis por esses atos, que violam as obrigações legais internacionais", disse.

A secretária de Estado disse que os princípios de democracia e liberdade "não são somente ocidentais e sim universais", e os EUA "estão prontos para ajudar em uma transição para a democracia, incluindo com auxílio financeiro".

"As pessoas da Líbia escreveram seu destino. Elas estão enfrentando as balas do ditador para conseguir desfrutar da liberdade, que é direito de todo homem, mulher e criança", disse.

Também nesta segunda-feira, a União Europeia impôs sanções incluindo um embargo de armas, congelamento de bens e proibição de viagens a autoridades líbias, incluindo o coronel Kadafi.

*Com AP, EFE, Reuters e BBC

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