EUA confirmam encontro com representantes de governo Kadafi

Segundo funcionário do Departamento de Estado, reunião ocorreu depois de os EUA reconhecerem formalmente rebeldes líbios

iG São Paulo |

Uma fonte do Departamento de Estado dos EUA confirmou nesta segunda-feira que autoridades do governo americano se reuniram com representantes do regime do líder líbio, Muamar Kadafi. Segundo o funcionário do departamento, o objetivo do encontro era dar a mensagem clara e firme de que a única forma de a Líbia seguir adiante é com a renúncia de Kadafi. Segundo a fonte, o encontro não foi uma negociação.

AFP
Rebelde líbio faz o sinal da vitória enquanto ele e seus companheiros dirigirem em uma picape armados com armas antiaéreas em direção a Brega, na Líbia
Sem revelar a data do encontro, o funcionário informou que ele ocorreu depois de os EUA e mais de 30 países terem anunciado na sexta-feira que reconheciam oficialmente o principal grupo de oposição líbio como governo legítimo do país, dando ao movimento rebelde um grande apoio.

A autoridade disse que os EUA não planejam se encontrar novamente com representantes do regime. A fonte falou à Associated Press sob condição de anonimato por não ter autorização para abordar o encontro publicamente.

A confirmação do encontro foi feito depois de o porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim, anunciar em Trípoli que representantes de Kadafi tinham mantido negociações bilaterais com autoridades americanas com o objetivo de reparar as relações entre os dois países. Segundo Ibrahim, o encontro ocorreu no sábado, mas ele se recusou a dizer onde e quais autoridades participaram.

"Esse é um primeiro passo, e queremos tomar outros", afirmou. "Não queremos ficar presos ao passado; queremos seguir adiante todo o tempo", disse nos corredores do hotel onde os jornalistas estrangeiros são requisitados a ficar na capital líbia.

Confrontos por cidade petroleira

A informação sobre o encontro surgiu no mesmo dia em que os rebeldes líbios anunciaram ter tomado o controle da cidade de Brega, uma das mais importantes do leste do país, depois de enfrentar as forças aliadas ao coronel Kadafi dentro da cidade.

O regime do líder líbio, porém, desmentiu a informação, afirmando que a cidade, que abriga refinarias de petróleo, permanece sob o "total controle" das forças leais ao governo. "Brega está totalmente sob o controle dos nossos líbios, ajudados pelas tribos e voluntários, e tudo que foi anunciado pelo autoproclamado Conselho Nacional de Transição são mentiras e desinformação", disse o porta-voz governamental.

Segundo Ibrahim, o governo matou 500 rebeldes. "Transformaremos Brega em um inferno mesmo que isso cause a morte de milhares de rebeldes; não desistiremos de Brega", disse.

Segundo a oposição, no entanto, as forças leais a Kadafi estão se retirando para a cidade de Ras Lanuf, a oeste, com as forças oposicionistas tendo cercado Brega. O restante das tropas, cerca de 200 homens governistas, estaria entrincheirado em prédios industriais, segundo relatos.

Segundo a BBC, parte das forças rebeldes têm dificuldades de manter a segurança na cidade por causa do grande número de minas colocadas pelas forças leais ao líder líbio na área. Ainda não foi possível verificar de maneira independente as declarações.

Brega, que fica cerca de 750 quilômetros a leste da capital, mudou de mãos diversas vezes desde o início do levante popular contra o governo líbio, em fevereiro.

Impasse

De acordo com a BBC, se a vitória em Brega for confirmada, ela representará um grande avanço para as forças de oposição a Kadafi. Apesar da artilharia pesada das tropas do governo, os rebeldes vinham se aproximando da cidade pelo nordeste, leste e sudoeste, há alguns dias.

Por muitas semanas, o conflito líbio parecia estar em um impasse prolongado, com os rebeldes no controle do leste do país e bolsões de resistência aliada ao governo no oeste. O coronel Kadafi permanece entrincheirado em Trípoli, apesar dos bombardeios das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na cidade.

A Otan está atacando as forças de Kadafi na Líbia com a anuência de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, sob a justificativa de proteger os civis líbios dos ataques do regime.

*Com AP, BBC e AFP

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