EUA avaliam opções militares na Líbia

Washington discute com aliados estabelecimento de zona de exclusão aérea na Líbia, medida que representaria intervenção militar

iG São Paulo |

Os EUA estão considerando um possível papel militar para ajudar a revolta na Líbia contra o líder Muamar Kadafi. Ao mesmo tempo, porém, graduadas autoridades americanas advertem que o assunto é controvertido.

À comissão de Relações Exteriores do Senado, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse nesta quarta-feira que "pode haver um papel para que militares levem equipamentos e suprimentos para áreas onde sejam necessários" e onde os EUA sejam bem-vindos.

Mas ela fez a ressalva de que, em uma declaração divulgada nesta quarta, os membros da Liga Árabe rejeitaram "qualquer interferência dentro da Líbia em apoio à oposição, apesar de terem pedido por sua renúncia".

"As duras questões sobre como e se deveria haver qualquer intervenção para ajudar a oposição líbia é muito controvertida na Líbia e na comunidade árabe", afirmou a secretária de Estado. "Então estamos trabalhando com nossos parceiros e aliados para avaliar o que podemos fazer, e estamos muito engajados em considerar todas as opções disponíveis."

AP
Egípcio observa passagem do navio de guerra USS Kearsarge pelo Canal de Suez
As afirmações foram feitas enquanto dois navios de guerra americanos se aproximavam mais da Líbia nesta quarta ao atravessar o Canal de Suez e entrar no Mar Mediterrâneo. Um dos navios de guerra é o porta-helicópteros "USS Kearsarge", um grupo de operações anfíbias com 800 marines, uma frota de helicópteros e instalações médicas, que pode garantir apoio às operações humanitárias e militares.

O outro navio é o USS Ponce. Na segunda-feira, o destróier USS Barry já havia passado por Suez, e agora está no sudoeste do Mediterrâneo. Já o porta-aviões "USS Enterprise", que transporta caças capazes de criar uma zona de exclusão aérea, pode ser solicitado para responder à crise na Líbia.

Sobre o estabelecimento de uma zona de exclusão área no país, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou que a medida requereria um ataque para enfraquecer a defesa aérea líbia. "Um zona de exclusão aérea começa com um ataque à Líbia para destruir suas defesas aéreas. Dessa forma é possível sobrevoar o país e não se preocupar com a possibilidade de nossos soldados serem abatidos", disse.

Gates afirmou que uma zona de exclusão aérea na Líbia "também requer mais aviões do que se pode encontrar em apenas um porta-aviões, portanto, é uma grande operação em um país grande".

Segundo Hillary, os EUA estão longe de uma decisão sobre a questão. "Há muita prudência em relação às ações que poderíamos empreender em âmbitos distintos do apoio a missões humanitárias", acrescentou.

Zona de exclusão aérea

Os EUA e aliados estudam a possibilidade de uma ação militar na Líbia, incluindo a criação de uma zona de exclusão aérea, para impedir Kadafi de continuar usando suas forças de segurança para massacrar os manifestantes, que protestam exigindo sua renúncia.

Embora o Exército de Kadafi possua armamento bastante defasado em relação aos arsenais dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte, o regime mantém ativos dezenas de mísseis terra-ar capazes de derrubar os caças da Aliança Atlântica.

A doutrina militar americana normalmente exige que as defesas aéreas e os radares de um potencial adversário sejam neutralizadas antes de qualquer bombardeio.

Chefes militares americanos também estão preparando uma série de opções para Obama, ao mesmo tempo em que discutem a situação com seus pares europeus. Entretanto, as chances de uma intervenção militar na Líbia permanecem nebulosas, de acordo com os oficiais americanos.

"Acho que (as sugestões para Obama) incluem tudo, de uma demonstração de força a algo com maior envolvimento", disse uma das fontes. "O presidente ainda não tomou nenhuma decisão sobre o uso das Forças Armadas."

Para manter a zona de exclusão aérea, entretanto, seria necessário um número muito maior de aeronaves. Para isso, os EUA poderiam recorrer às bases que mantêm no sul da Itália. Mesmo assim, Washington precisaria pedir a autorização para utilizar o espaço aéreo de países da região, como o Egito e a Tunísia.

Navios de guerra de vários países

Além dos EUA, outros países mobilizaram navios de guerra para a Líbia. Zarpando de Gibraltar, a fragata HMS Westminster da Marinha britânica se revezará com o HMS York, que distribui matérial médico fornecido pela Suécia a Benghazi, segunda cidade do país, em mãos da oposição.

A HMS Westminster é fragata do tipo 23 transportando, em geral, helicópteros MK 8 Lynx, lança-mísseis, torpedos e armas de curto e longo alcances.

Partindo de Halifax, na Nova Escócia, a fragata canadense Charlottetown, levando a bordo 240 homens e um helicóptero, deverá chegar em seis ou sete dias à região. Nem sua missão nem a duração da viagem foram definidas com precisão. Segundo o primeiro-ministro Stephen Harper, o navio deverá fazer parte das operações de retirada de cidadãos canadenses e de outros estrangeiros, já em curso na Líbia.

A França decidiu enviar o porta-helicópteros Mistral, o segundo maior desse tipo da Marinha francesa, para participar da retirada de trabalhadores egípcios impedidos de chegar a seu país natal. O porta-helicópteros e a fragata que o acompanham poderiam embarcar "até 800 pessoas", segundo o coronel Thierry Burkhard, porta-voz do Estado Maior.

Já o chefe da diplomacia italiana, Franco Frattini, afirmou que navios poderão deixar a Itália "em 24 ou 48 horas". Frattini também afirmou que o governo de Roma enviará um navio de ajuda humanitária a Benghazi "assim que as condições de segurança permitirem".

O navio de guerra sul-coreano Choi Young, que faz patrulhas ao longo da Somália, foi desviado de rota em direção à Líbia para ajudar na retirada de civis, devendo chegar de madrugada à região perto da Líbia, segundo o Ministério da Defesa.

*Com Reuters e AFP

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