EUA aproveitam vácuo de poder no Iêmen e aumentam bombardeios contra Al-Qaeda

Ofensiva de forças americanas e iemenitas se nutre de protestos populares e confrontos; presidente iemenita deixa a UTI na Arábia Saudita

iG São Paulo |

Forças dos Estados Unidos e do Iêmen estão atacando militantes islâmicos por terra e ar, com medo de que a Al-Qaeda se aproveite do caos político e do vácuo político deixado pela saída do presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh , que deixou a unidade de terapia intensiva (UTI) nesta quinta-feira na Arábia Saudita, onde recebeu tratamento médico depois de escapar de um ataque .

De acordo com a rede de TV americana CNN, forças iemenitas tentam retomar o controlar a cidade de Zinjibar, no sul do país, ocupada por militantes islâmicos. Segundo um oficial americano, os ataques aéreos liderados pelas forças americanas foram intensificadas, matando alguns insurgentes.

AFP
Dissidentes tribais iemenitas patrulham bairro da capital Sanaa
Segundo o jornal americano The New York Times, os EUA mantêm uma "guerra encoberta" no Iêmen contra alvos vinculados à rede terrorista Al-Qaeda, atacando-os com aviões não-tripulados, aproveitando o vazio de poder no país.

A campanha secreta americana se nutre dos enfrentamentos que feriram e afastaram do país o presidente iemenita, ferido em um bombardeio contra seu palácio presidencial em Sanaa na útlima sexta-feira. O líder deixou a UTI nesta quinta-feira, depois de ser submetido a uma cirurgia na capital saudita, Riad, e foi transferido para uma suíte real no hospital das Forças Armadas.

Diante da escalada de violência relacionada aos protestos populares, tropas iemenitas que lutavam contra militantes da Al-Qaeda no sul do país retornaram à capital Sanaa. Assim, o governo americano "vê os ataques aéreos como uma das poucas opções que restam para evitar que os militantes consolidem seu poder", acrescenta o jornal.

Comando

A campanha é liderada pelo Comando Especial de Operações Conjuntas do Pentágono e coordenada com a agência central de inteligência americana, a CIA, de um posto de controle em Sanaa que recebe as informações de inteligência sobre os alvos.

Para a CIA, o braço da Al-Qaeda na Península Arábica apresenta o maior risco imediato para os EUA, mais do que ações dos líderes da organização terrorista supostamente escondidos no Paquistão.

Na sexta-feira da semana passada, os caças-bombardeiros americanos mataram o espião da Al-Qaeda Abu Ali al-Harithi e a outros suspeitos de fazer parte da rede, em um ataque no sul do país que matou também quatro civis. Semanas antes, aviões não tripulados lançaram um ataque frustrado contra o clérigo radical Anwar al-Awlaki, um dos homens mais procurados pelos EUA.

Os bombardeios representariam o fim de uma trégua de quase um ano de duração nos ataques aéreos americanos no Iêmen, paralisados diante das denúncias de que algumas missões haviam errado seus alvos e provocado mortes de civis.

Segundo um alto funcionário do Pentágono citado pelo New York Times, a perseguição a alvos da Al-Qaeda se complicou pelo fato de que seus militantes se misturaram com outros rebeldes e com aqueles que protestam contra o governo.

Isso dificulta a tarefa dos EUA, que por enquanto mantêm uma posição tímida no conflito entre o governo e os manifestantes.

Nesta quinta-feira, ao menos 12 supostos militantes da Al-Qaeda, entre eles cinco dirigentes do grupo, morreram em confrontos com a polícia e o Exército iemenita na cidade de Zinjibar. Fontes militares explicaram que entre os mortos há dois "dos mais perigosos" dirigentes da Al Qaeda, identificados como Ammar Ebada al Waeli e Abu Ali al Harezi.

*Com EFE

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