Estrangeiros se atropelam para conseguir voos para fora do Egito

Aeroporto do Cairo vive situação caótica nesta quarta-feira; China, Japão, Canadá, Grã-Bretanha e Turquia terão voos extras

Reuters |

Milhares de estrangeiros se acotovelavam nesta quarta-feira no aeroporto do Cairo, onde a situação era caótica, para conseguirem voos para fora do país, enquanto manifestantes se reuniam nas ruas pelo nono dia para rejeitar o cronograma anunciado pelo presidente egípcio Hosni Mubarak para deixar o poder.

China, Japão, Canadá, Grã-Bretanha e Turquia anunciaram voos extras para o Egito nos últimos dois dias, para retirar seus cidadãos do país.

AP
Turistas seguem com malas para terminal do aeroporto internacional do Cairo, na tentativa de deixar o Egito
"O aeroporto se encontra em estado de pandemônio; todas as companhias aéreas estão disputando espaços para decolagens e aterrissagens", disse Mark Briffa, executivo-chefe da Air Partner, que organiza voos fretados. "A realidade é que não há capacidade extra suficiente nas companhias aéreas comerciais para dar conta do número enorme de pessoas que procuram sair do Egito neste momento, e algumas companhias estão intermitentemente suspendendo seus voos de e para o Cairo, reduzindo ainda mais a capacidade", disse Briffa em comunicado enviado por e-mail.

O governo britânico anunciou nesta quarta-feira que cidadãos britânicos interessados em aproveitar o voo fretado para Londres organizado pelo governo pagarão 300 libras (US$ 486,4) pelo voo. Um porta-voz do Ministério do Exterior britânico disse que o preço é condizente com a tarifa padrão só de ida e é semelhante ao valor que está sendo cobrado pelos Estados Unidos, o Canadá e alguns outros países. "Não é uma retirada organizada de cidadãos, porque ainda há voos comerciais disponíveis", disse o porta-voz. "O voo fretado visa simplesmente suplementar a capacidade existente."

Toque de recolher

O toque de recolher noturno também prejudicou a capacidade dos voos; algumas companhias aéreas, entre elas a alemã Lufthansa, adiantaram os horários de seus voos e passaram a usar jatos jumbo para dar conta da demanda.

Enquanto operadoras de turismo alemãs cancelaram todas suas viagens de férias ao Egito, na terça-feira, a Air Berlin disse que ainda enviará aviões na quinta-feira, como faz normalmente, mesmo que estejam vazios, para poder buscar pessoas que queiram retornar do país árabe.

Agências de viagens informaram que a situação nos resorts turísticos do Mar Vermelho ainda é calma, sem problemas de abastecimento nos hotéis. A TUI, a Thomas Cook e a Rewe disseram que receberam apenas algumas solicitações de clientes que querem retornar antes do previsto de resorts como Hurghada e Sharm El Sheik.

Mas a Thomson e a First Choice, operadoras da TUI no Reino Unido, vão repatriar seus 950 clientes que estão em Luxor, para onde o governo britânico desaconselhou seus cidadãos de viajar. "Esperamos trazer a maioria deles de volta hoje", disse uma representante.

O turismo é uma das maiores fontes de receita do exterior no Egito, sendo responsável por mais de 11% do PIB e fonte de empregos, em um país com alto índice de desemprego. Cerca de 12,5 milhões de turistas visitaram o Egito em 2009, proporcionando receita de 10,8 bilhões de dólares.

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