Enviado líbio diz que Kadafi quer negociar fim de confrontos

"Parece que o regime está buscando uma solução", afirmou o ministro grego Dimitris Droutsas

BBC Brasil |

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O vice-chanceler da Líbia, Abdul Ati al-Obeidi, afirmou neste domingo em um encontro com o primeiro-ministro da Grécia, em Atenas, que o líder líbio, Muamar Kadafi, deseja negociar um fim aos confrontos armados no país. O enviado líbio, que nesta segunda-feira vai também a Turquia e Malta, havia afirmado na sexta-feira que o governo de Kadafi estaria tentando contatos com autoridades de Estados Unidos, Grã-Bretanha e França para negociar um fim aos ataques aéreos internacionais.

As ações da coalizão internacional, iniciadas no dia 19 de março, têm como objetivo impor a resolução do Conselho de Segurança da ONU que estabeleceu uma zona de exclusão aérea no país para proteger os civis de ataques das forças pró-Kdafi.

Segundo o ministro grego das Relações Exteriores, Dimitris Droutsas, o enviado de Kadafi teria indicado o desejo de negociar o fim dos ataques. "Pelos comentários do enviado líbio, parece que o regime está buscando uma solução”, afirmou Droutsas.

Segundo ele, autoridades gregas reafirmaram a exigência da comunidade internacional de que a Líbia cumpra a resolução 1973 da ONU, aprovada após forças pró-Kadafi terem atacado opositores que vinham protestando contra o governo em várias cidades do país.

Navio turco

Também neste domingo, um navio turco em missão humanitária chegou a Benghazi, segunda maior cidade da Líbia e principal base da oposição a Khadafi, levando 250 pessoas feridas retiradas de Misrata, terceira maior cidade do país. Misrata, a única cidade do oeste da Líbia ainda controlada pelos rebeldes, vem sofrendo há semanas com um cerco das forças leais ao coronel Kadafi.

Médicos a bordo do navio turco disseram que muitas das pessoas tinham ferimentos graves.
O ministro turco das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, ordenou que o navio Ankara fosse transformado em um hospital improvisado para retirar os feridos de Misrata, após quatro dias de espera por uma autorização para o atracamento.

O Ankara deve recolher mais uma centena de rebeldes feridos em Benghazi antes de se dirigir ao porto turco de Cesme, onde os feridos deverão receber tratamento em um hospital mais bem equipado e com suprimentos, segundo as autoridades turcas.

O navio chegou a Misrata sob a proteção de dez caças turcos F-16 e duas fragatas da Marinha, segundo afirmou um diplomata do país. Após a entrada dos 250 feridos, a embarcação foi obrigada a deixar Misrata antes do previsto após uma multidão, incluindo centenas de egípcios, ter se juntando na área do porto para tentar embarcar no navio para fugir do local.

Segundo o correspondente da BBC Jon Leyne, que embarcou no Ankara, muitos dos pacientes a bordo pareciam ter ferimentos extremamente graves, incluindo muitos com amputações.

Um homem perdeu parte de sua perna em uma explosão quando levava sua mulher ao hospital. Um garoto de 13 anos descreveu como foi alvejado por um franco-atirador. Um garoto de 12 anos recebeu estilhaços de uma explosão ocorrida próxima a ele e ao seu irmão quando estavam a caminho de um mercado.

Segundo Leyne, todos tinham histórias sobre a piora das condições em Misrata. Eles contaram que a cidade não tinha água nem energia elétrica e que ninguém estava protegido de bombardeios ou de disparos de atiradores. Os médicos a bordo afirmaram que as condições para tratamento em Misrata eram inadequadas e que mais de 200 pessoas foram mortas na cidade nas últimas semanas, com centenas de feridos.

Cerco

O cerco das forças pró-Khadafi aos rebeldes continuava nesta segunda-feira, com combates verificados próximos à universidade de Brega, a leste de Benghazi. O Conselho Nacional de Transição, que reúne os grupos rebeldes, fez um apelo à Otan (aliança militar ocidental, que vem coordenando as ações militares na Líbia) por novos bombardeios e pediu que governos estrangeiros enviem armamentos e deem treinamento militar aos opositores.

O conselho reconheceu que combatentes rebeldes que disparavam para o ar por falta de disciplina podem ter provocado o ataque da Otan que deixou ao menos 13 pessoas mortas na sexta-feira. Comandantes militares rebeldes disseram à BBC que querem mais profissionalismo de suas forças. Bloqueios foram estabelecidos para garantir que apenas soldados com treinamento sigam para os combates.

Interrogatório

O ex-ministro das Relações Exteriores da Líbia, Moussa Koussa, que na semana passada se exilou na Grã-Bretanha, poderá ser interrogado nesta segunda-feira. A polícia escocesa quer questioná-lo sobre o atentado a bomba contra o avião da Pan Am que explodiu sobre a cidade de Lockerbie, em 1988, provocando a morte de 270 pessoas.

A Líbia assumiu sua responsabilidade pelo atentado em 2003, como parte do processo de reabilitação do país diante da comunidade internacional. Koussa era um alto membro dos serviços de inteligência da Líbia na época do atentado. O governo britânico afirmou que nenhum acordo foi feito para dar imunidade a Koussa em troca de informações.

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