Enviado chinês segue para Síria após votação da ONU contra Assad

Hillary comemora o que caracterizou como 'esmagador consenso internacional' na Assembleia Geral, enquanto país sofre com violência

iG São Paulo |

Uma autoridade chinesa seguiu para Damasco nesta sexta-feira, em uma demonstração de apoio de um dos poucos amigos estrangeiros que o presidente sírio, Bashar al-Assad, ainda tem, depois que a Assembleia Geral da ONU votou a favor de um plano da Liga Árabe que pede sua renúncia .

Leia também: Assembleia Geral da ONU aprova resolução que condena Síria

Reuters
Vice-chanceler sírio Faisal Mekdad (primeiro à esquerda) encontra colega chinês Zhai Jun (primeiro à direita) e outros diplomatas em Damasco

"A China não aprova o uso da força para interferir na Síria, ou a imposição forçosa de uma chamada mudança de regime", disse Zhai Jun antes de embarcar para Damasco.

A embaixada chinesa na Síria disse que Zhai se reuniria na noite de sexta-feira com seu homólogo local, que seria recebido no sábado por Assad e que também visitaria membros da oposição. Não se sabe se ele leva alguma mensagem específica para Assad, ou se ele tentará convencê-lo a interromper a operação militar.

Assad não mostrou sinais de que aceita os pedidos para que pare a repressão aos 11 meses de levantes contra seu governo. Na sexta-feira, suas forças retomaram violentamente redutos da oposição na cidade de Homs, que agora está sob fogo há duas semanas , e sobre Deraa.

Na Assembleia Geral da ONU em Nova York, na quinta-feira, 137 Estados votaram a favor, 12 contra e 17 se abstiveram em uma resolução que endossava o plano da Liga Árabe . Rússia e China votaram contra, depois de terem vetado um texto similar no Conselho de Segurança da ONU em 4 de fevereiro.

A votação da assembleia, ao contrário das resoluções do Conselho, não tem força legal, mas aumentou o isolamento de Assad e refletiu a revolta mundial à ferocidade da repressão, na qual forças do governo mataram vários milhares de civis. "Hoje a Assembleia Geral da ONU enviou uma mensagem clara ao povo da Síria - o mundo está com vocês", disse Susan Rice, a embaixadora dos EUA, em um comunicado.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, comemorou nesta sexta-feira o que classificou como um "esmagador consenso internacional" na Assembleia Geral da ONU. "A votação atingiu um esmagador consenso internacional de que a sangrenta repressão deve terminar", disse Hillary em uma coletiva de imprensa junto com a chefe da diplomacia da União Europeia, Cathy Ashton.

"Frente a esta condenação global, o regime de Damasco, contudo, parece intensificar seus ataques contra civis, e aqueles que estão sofrendo não podem ter acesso à ajuda humanitária que necessitam e merecem", disse.

Ela acrescentou que os EUA continuarão a trabalhar para pressionar e isolar o regime, apoiar a oposição e levar um "alívio" à população da Síria.

O analista político baseado em Beirute, Ramil Khouri, disse à Reuters que a votação era importante embora fosse simbólica. "Há um grande apoio global para a oposição. Isso mantém a pressão e a oposição pode dizer que tem legitimidade global. Eu acho que os dias dele estão contados. Mas ainda não sabemos por quanto tempo ele pode se manter", disse.

Assad, que sucedeu ao pai Hafez, falecido em 2000 depois de ter governado por 30 anos, ainda tem apoio crucial no cenário internacional da Rússia e China. Os dois países dizem se opor à ideia de intervenção estrangeira em Estados soberanos e a Rússia tem interesses estratégicos na Síria, incluindo uma base naval.

Manifestações contra Assad foram relatadas nesta sexta-feira em várias cidades sírias, incluindo Aleppo e Damasco, a capital do país, apesar da ameaça de repressão das forças de segurança.

Ativistas da oposição disseram que um intenso bombardeio atingiu o bairro de Baba Amro, depois da incursão de tropas e blindados a partir do vizinho bairro de Inshaat. "Eles estão principalmente disparando foguetes que caem diretamente nos prédios, e morteiros de vez em quando. Só a rua Karama agora separa Baba Amro do Exército em Inshaat", disse o ativista Aba Iyad usando um telefone por satélite.

Em Idlib, perto da fronteira com a Turquia, dois moradores disseram que tanques cercaram a cidade ao amanhecer, e há expectativa de uma invasão militar.

AP
Manifestantes anti-Assad em Deraa carregam faixa na qual lê-se: 'Putin...o choro das nossas crianças não são para você ganhar a eleição'

No outro lado do país, em Deraa, na fronteira com a Jordânia, moradores relataram ter ouvido explosões e rajadas de metralhadoras em bairros que estão sob ataque militar. Deraa foi o berço da rebelião contra Assad, há um ano. Os militares também iniciaram uma nova ofensiva em Hama, cidade com um sangrento histórico de resistência.

Apesar disso, os habitantes desafiaram a presença de soldados e policiais para fazerem protestos em várias cidades, como acontece em quase todas as sextas-feiras. Segundo informou o grupo ativista Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres, 26 foram mortos na Síria nesta sexta.

"O número de mártires neste 'dia de resistência Popular' se eleva a 26 civis", relatou a ONG em comunicado. Segundo o OSDH, 13 civis faleceram no bairro de Baba Amr em Homs.

As demais vítimas encontraram a morte no bairro de Mazzé, no oeste da capital síria, em Deraa, Deir Ezzor, na região de Damasco, e em Aleppo e sua província.

Com Reuters, AFP e AP

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