Empresas retiram funcionários brasileiros da Líbia

Grupo da Andrade Gutierrez desembarca em São Paulo, enquanto Petrobras, Odebrecht e Queiroz Galvão também organizam 'retirada'

iG São Paulo |

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Funcionário da Andrade Gutierrez, José Geraldo desembarca em São Paulo após deixar a Líbia

Quatro brasileiros que estavam na Líbia desembarcaram na manhã desta quinta-feira no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, deixando o país que vive uma onda de protestos antigoverno desde 17 de fevereiro. Os brasileiros voltaram para casa em um voo fretado pela empresa Andrade Gutierrez, que tem negócios no Líbano.

Outros brasileiros, entre eles o técnico da seleção de futebol da Líbia , Marcos Cesar Dias de Castro, mais conhecido como Paquetá, desembarcaram no Rio de Janeiro por volta das 11h.

A Andrade Gutierrez afirmou ter concluído sua operação de retirada nesta quinta-feira. No total, foram transportadas 234 pessoas, entre funcionários, colaboradores e familiares de cinco nacionalidades. Deste, 14 eram brasileiros.

O transporte foi feito em voos comerciais e em um avião C-130 da Força Aérea brasileira. A empresa informou que seus negócios na Líbia estão temporariamente paralisados e uma comissão integrada por colaboradores líbios está responsável pela gestão dos ativos da empresa no país.

Odebrecht e Petrobras

Nesta quinta-feira, um avião fretado pela construtora Odebrecht com 446 pessoas a bordo, incluindo 114 brasileiros, chegou a Malta, no Mar Mediterrâneo, vindo da capital da Líbia. Esse foi o primeiro dos três voos que a empresa brasileira anunciou para retirar funcionários e seus familiares do país.

Segundo informações da assessoria de imprensa da Odebrecht, estavam no primeiro voo, que chegou a Malta às 10h (hora de Brasília), todos os 107 funcionários brasileiros da empresa e seus familiares.

Também embarcaram nesse voo quatro brasileiros que trabalham na Petrobras em Trípoli, e mais três familiares. Outros 332 funcionários da Odebrecht, de outras 23 nacionalidades, estavam no avião.

Permanecem na Líbia 2,7 mil empregados da empresa. Parte deles deve deixar a Líbia em um navio que, segundo a construtora, partiu da cidade de Palermo, na Itália, e deve chegar à Tripoli ainda nesta quinta-feira.

Outros funcionários deixarão o país em mais dois voos para Malta, ambos com capacidade para 450 passageiros. Segundo o Itamaraty, um dos aviões fretados pela construtora já se encontra em Trípoli, mas a intensa movimentação no aeroporto pode fazer com que a aeronave só consiga decolar na sexta-feira. Depois de retirar os trabalhadores da Líbia, a empresa disse que providenciará o retorno de todos a seus países em voos de carreira ou fretados.

Queiroz Galvão

Em Benghazi, a segunda maior cidade da Líbia, 148 brasileiros serão resgatados de navio. Segundo o Itamaraty, a embarcação já está atracada no porto da cidade e espera apenas a liberação de um píer para receber os passageiros.

Espera-se que a embarcação parta ainda nesta quinta-feira com os brasileiros, funcionários da construtora Queiroz Galvão, rumo ao porto de Pireu, na Grécia, onde deve chegar na sexta-feira. De lá, eles pegarão voos para o Brasil.

O navio negociado pela construtora em parceria com o Itamaraty também vai retirar de Benghazi 48 portugueses, 20 espanhóis e um tunisiano. Houve tentativas prévias de buscá-los por via aérea, mas há relatos de que a pista do aeroporto da cidade foi destruída durante os protestos.

Segundo o Itamaraty, não há registros de casos de violência e agressão contra os cerca de 600 brasileiros que vivem na Líbia. Desde o dia 17 de fevereiro, o país vive uma onda de protestos pela renúncia do presidente Muamar Kadafi.

Nesta quinta-feira, o líder afirmou que os manifestantes antigoverno não têm demandas genuínas e responsabilizou a rede terrorista Al-Qaeda pelos tumultos no país. Segundo Kadafi, adolescentes vêm sendo "explorados" por militantes da Al-Qaeda. "(Eles) colocam pílulas alucinógenas em seus cafés com leite, como Nescafé", disse.

Com Agência Brasil

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