Empresas brasileiras esperam novo governo para retomar operações na Líbia

Segundo embaixador, Conselho Nacional de Transição prometeu manter contratos e situação das companhias é 'tranquila'

BBC Brasil |

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Com a morte de Muamar Kadafi e a Líbia oficialmente " liberada ", as empresas brasileiras aguardam a formação de um governo provisório para retomar suas operações no país. A informação é do embaixador Cesário Melantonio Neto, que media as conversas com as novas autoridades líbias, e das próprias companhias.

As operações das empresas brasileiras foram interrompidas com o início do levante civil que resultou na queda de Kadafi. Em fevereiro deste ano, centenas de funcionários de construtoras como a Odebrecht e a Andrade Gutierrez deixaram o país com a intensificação do conflito

Reuters
Homem passa por loja decorada com bandeiras no centro de Trípoli, capital da Líbia (30/10)

"Tenho informação de que vários funcionários já voltaram (à Líbia). Agora temos de esperar a formação de um novo governo provisório para retomar de vez as obras", disse Melantonio, em entrevista à BBC Brasil.

O diplomata, que serve como embaixador do Brasil no vizinho Egito, tem sido um dos principais interlocutores brasileiros junto ao Conselho Nacional de Transição (CNT), formado inicialmente em Benghazi e atuando agora na capital líbia, Trípoli.

Nesta segunda-feira, era aguardado que a Otan anunciasse o fim de suas operações militares no país. Segundo Melantonio, a situação das empresas é "tranquila", mas só voltará a se normalizar quando o CNT, que governa o país interinamente, indicar os integrantes do governo provisório, incumbido de organizar eleições e a nova Constituição líbia. A expectativa é que isso ocorra nos próximos meses ou até semanas.

Revisão de contratos

Melantonio, que já esteve em Benghazi e se encontrou com autoridades líbias durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, diz ter recebido garantias de que os contratos serão cumpridos.

"Sempre houve garantia de que os contratos serão cumpridos, mas com uma observação: todos os contratos serão revisados", disse o embaixador. "O presidente do CNT, (Mustafa) Abdul Jalil, que foi ministro da Justiça da Líbia, me disse que a revisão é para ver se não há pontos ilícitos nos contratos, superfaturamento. Isso será para todas as empresas, de todos os países".

Sem represálias

Melantonio nega que o reconhecimento tardio dado pelo Brasil ao CNT possa prejudicar as empresas brasileiras no país.

O Brasil só reconheceu o CNT como governo interino líbio durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, quando boa parte do mundo já o havia feito.

"Nunca houve problema. Nas inúmeras conversas que tivemos, eles sequer tocaram no assunto. O governo (líbio) quer olhar para a frente", disse Melantonio.

Durante o conflito, membros do CNT chegaram a fazer declarações de que empresas dos países que haviam apoiado o levante líbio para derrubar Kadafi seriam beneficiadas durante a reconstrução do país.

"A Líbia precisa das empresas brasileiras. Além disso, as empresas estão fazendo obras de saneamento, pavimentação, que não são polêmicas. A necessidade é ainda maior para um país que sai de uma guerra civil", disse o embaixador.

Empresas

A Odebrecht, responsável pela construção do Aeroporto Internacional de Trípoli e o anel viário da cidade, disse por meio de nota que "a expectativa da empresa é voltar à operação", mas que ainda analisa o cenário para tomar qualquer decisão. A Petrobras, que tem operações na costa mediterrânea, disse que "segue acompanhando e analisando a situação na Líbia e não comenta questões políticas". A Queiroz Galvão, que toca seis obras de infraestrutura (saneamento, drenagem, abastecimento de água, pavimentação e urbanização) declarou que "aguarda orientação do governo líbio para retomada de suas atividades".

A Andrade Gutierrez afirmou que "mantém instalações, equipamentos e funcionários locais em Trípoli" e que aguarda a retomada das "atividades de quatro obras de reurbanização" no país.

Ajuda humanitária

Melantônio disse ainda que o CNT pediu ajuda humanitária ao Brasil. "Estamos analisando a possibilidade de enviar algumas toneladas de arroz. Também discutimos a possibilidade de doação de medicamentos", disse.

Segundo o diplomata, assim que houver segurança suficiente, a Embaixada do Brasil em Trípoli será reaberta. Diferente de outras representações, saqueadas e danificadas, o prédio da missão brasileira ficou intacto, segundo Melantônio.

Com o início do conflito, os diplomatas brasileiros locados em Trípoli foram transferidos para Túnis, na vizinha Tunísia.

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