Apesar da aprovação, premiê e gabinete continuarão no poder em caráter interino até a nomeação de um novo governo

Pelo 3º dia consecutivo, cidadãos do Kuwait se reúnem do lado de fora do Palácio da Justiça, na Cidade do Kuwait, para mostrar solidariedade aos ativistas da oposição
AP
Pelo 3º dia consecutivo, cidadãos do Kuwait se reúnem do lado de fora do Palácio da Justiça, na Cidade do Kuwait, para mostrar solidariedade aos ativistas da oposição
O emir do Kuwait aceitou nesta segunda-feira o pedido de renúncia do governo, mas pediu que o premiê e seu gabinete permanecessem no poder em caráter interino - um revés para os grupos de oposição que queriam a retirada dos atuais governantes.

O pedido de renúncia havia sido anunciado mais cedo por parlamentares da oposição . A decisão tem como objetivo pôr fim aos protestos populares e às exigências de parlamentares que pediam pela demissão do premiê, o xeque Nasser al-Mohammad al-Sabah, acusado de corrupção. 

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"Decidimos submeter nossa renúncia para atender ao interesse nacional e devido ao perigo da situação a que chegamos", disse o xeque Nasser, segundo a TV estatal.

O emir, Sabah Al Ahmed Al Sabah, que nomeia o primeiro-ministro, que por sua vez forma um gabinete, aceitou a renúncia do premiê, segundo a agência estatal de notícias Kuna. No entanto, segundo a Associated Press, o governo permanecerá no posto, porém com um caráter interino, até a formação de um novo gabinete - sem dar um cronograma claro de quando isso vai acontecer.

O emirado petroleiro tolera críticas políticas em um grau raro na região, o que ajudou a blindar o país das turbulências da chamada Primavera Árabe , que já levaram à queda de quatro governos no norte da África e Oriente Médio desde o começo do ano.

Mas as tensões cresceram fortemente nesse mês, quando manifestantes e parlamentares da oposição invadiram o Parlamento para exigir a renúncia do primeiro-ministro, xeique Nasser al-Mohammad al-Sabah.

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A invasão do edifício aconteceu depois que um pedido parlamentar para interrogar Nasser foi barrado pelo gabinete, o que a oposição disse ter sido inconstitucional.

Parlamentares contrários ao governo haviam alertado que, se Nasser não aparecesse para depor na terça-feira, iriam ampliar a campanha para derrubá-lo.

O Kuwait vive uma prolongada disputa política entre o governo, dominado pela família Sabah, e o Parlamento, que tem 50 integrantes eleitos.

Há uma semana, o emir havia dito que a invasão do Parlamento fora um "dia negro para o país", e que não aceitaria a renúncia do premiê nem a dissolução da assembleia. Pelo menos 45 foram detidos no incidente

Nesta segunda-feira, fontes parlamentares disseram que, em caso de renúncia do governo, a formação de um novo gabinete poderia levar até três meses, e que nesse período as sessões parlamentares seriam suspensas.

Apesar da notícia da renúncia, a oposição decidiu manter um protesto convocado para a segunda-feira em frente ao Parlamento. "Esperamos que o próximo passo seja dissolver o Parlamento, porque um quarto dos deputados foi citada pelo promotor por causa de acusações de corrupção", disse o deputado Dhaifallah Buramia, da oposição islâmica, a jornalistas.

Desde que Nasser se tornou premiê, em 2006, sete gabinetes foram nomeados, e em três ocasiões o emir foi convencido a dissolver o Parlamento e antecipar eleições.

O gabinete anterior renunciou em março para evitar que o Parlamento interrogasse três ministros - esses interrogatórios são a principal arma do Legislativo contra o governo.

O fato de ter uma população pequena, beneficiada por generosos programas sociais bancados pelo petróleo, foi crucial para blindar o Kuwait dos protestos que já levaram à mudança de governo na Tunísia , Egito , Líbia e Iêmen . O país detém cerca de 10 % das reservas globais de petróleo.


Com Reuters e AP

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