Embaixador líbio no Brasil declara apoiar rebeldes

Salem Zubeide, que até pouco se dizia fiel ao regime de Kadafi, pôs seu cargo à disposição e declarando 'lealdade' aos rebeldes

iG São Paulo |

O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Zubeide, que até o início desta semana se mantinha fiel ao regime de Muamar Kadafi , declarou nesta sexta-feira "seu apoio e lealdade" ao Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes líbios), pondo seu cargo à disposição.

Nesta sexta-feira, os rebeldes transferiram sua sede de Benghazi (epicentro dos protestos no leste do país) para a capital líbia, Trípoli, enquanto o Reino Unido bombardeou um bunker na cidade natal de Kadafi, Sirte.

Zubeide, que está à frente da embaixada líbia em Brasília desde 2007, disse que tomou a decisão após "semanas de estudo" sobre a situação em seu país, declarando desejar "o maior dos sucessos" ao CNT nas tarefas de "reconstrução".

O diplomata afirmou que, como "representante do povo líbio", também está disposto a continuar em seu cargo caso isso seja aprovado pelo CNT, dando como certa a vitória definitiva dos rebeldes na batalha contra o regime de Kadafi.

Segundo Zubeide, as relações entre Brasil e Líbia devem melhorar com o novo governo e os projetos de empresas brasileiras no país serão respeitados . Entre as empresas que operam na Líbia estão a Petrobras e as construtoras Odebrecht e Queiroz Galvão.

Nos últimos dias, a embaixada da Líbia no Brasil se tornou palco de discussões e até troca de agressões físicas entre alguns funcionários fiéis a Kadafi e cidadãos líbios favoráveis à queda. Desde segunda-feira, na sede da embaixada se exibe a bandeira verde, vermelha e negra dos rebeldes.

A troca de bandeira ocorreu durante um embate entre simpatizantes da oposição e aliados de Kadafi. O esquema de vigilância e segurança, feito pela Polícia Militar, foi resforçado na área da representação para impedir confrontos.

AP
Imigrantes líbios entram pacificamente em Embaixada Líbia em Brasília, em apoio aos rebeldes opositores (22/08)
Na terça-feira, líbios radicados no Brasil cobraram apoio do governo brasileiro à oposição no momento da transição política no país do norte da África.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, reiterou nesta sexta-feira que o governo do Brasil aguarda manifestação da ONU para definir a posição a ser assumida no processo político de transição líbio. No entanto, ele ressaltou que não há intenção de suspender unilateralmente as sanções impostas ao país.

O Brasil foi um dos países que se abstiveram, em março, da votação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que autorizou o uso da força para impor uma zona de exclusão aérea na Líbia.

Os confrontos na Líbia ocorrem há seis meses – nos últimos dias, eles se acentuaram, desde que a oposição ocupou lugares estratégicos do país e Kadafi abandonou o quartel-general e o complexo residencial onde estava com a família. O paradeiro do líder deposto, no entanto, é desconhecido.

*Com EFE, Reuters e Agência Brasil

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