Embaixador dos EUA deixa a Síria por questões de segurança

Governo americano diz que Robert Ford era alvo de 'campanha de intimidação' por parte do regime do presidente Bashar Al-Assad

iG São Paulo |

AP
Foto de 20 de junho mostra o embaixador americano na Síria, Robert Ford, cobrindo seu nariz durante visita à vala comum em Jisr el-Shughour, norte do país
O embaixador dos EUA na Síria deixou o país neste fim de semana por questões de segurança, informou o Departamento de Estado americano nesta segunda-feira. Segundo autoridades dos EUA, o diplomata Robert Ford era alvo de uma “campanha de intimidação” por parte do regime do presidente Bashar Al-Assad.

Após o anúncio, a televisão oficial síria Al-Ikhbariya anunciou que o embaixador da Síria em Washington voltará a Damasco para "consultas". "O embaixador da Síria nos EUA, Imad Moustapha, deixará Washington e irá para Damasco para consultas com os dirigentes sírios", indicou a televisão, sem dar mais detalhes.

De acordo com o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, o embaixador era alvo de “ameaças críveis contra sua segurança pessoal” e sua permanência em Damasco foi considerada um risco.

“Esperamos que o regime sírio pare com essa campanha de intimidação contra o embaixador Ford”, afirmou Toner, sem especificar o conteúdo das ameaças. “Neste momento, não é possível dizer quando ele poderá voltar à Síria.”

Segundo o porta-voz, a Embaixada dos EUA em Damasco vai continuar aberta porque as ameaças eram diretamente contra Ford. Segundo Haynes Mahoney, número 2 da diplomacia americana na Síria, os EUA não retiraram o embaixador formalmente – o que seria um passo mais significativo diplomaticamente.

O diplomata americano irritou o regime sírio nos últimos meses ao visitar alguns dos centros de protestos fora de Damasco, em uma mostra de solidariedade com a revolta antigoverno.

No mês passado, partidários de Assad jogaram ovos e tomates contra Ford quando ele entrava em seu escritório para manter uma reunião com um importante membro da oposição. Depois de atingi-lo, os governistas tentaram invadir o escritório na capital do país, Damasco, de acordo com um ativista contrário ao regime.

Franco crítico da repressão de Assad contra o levante contrário a seu governo, Ford é o primeiro embaixador americano na Síria desde 2005. Na época, o governo de George W. Bush (2001-2009) decidiu retirar seu principal diplomata do país por acusações de que a Síria estava envolvida no assassinato do ex-premiê do Líbano, Rafik Hariri – o que Damasco nega.

Em janeiro de 2001 o governo do presidente Barack Obama decidiu enviar Ford à Síria numa tentativa de persuadir o país a mudar suas políticas relativas a Israel, Líbano, Iraque e a seu apoio a grupos extremistas. O Departamento de Estado americano classifica a Síria com um Estado que ‘patrocina o terrorismo”.

Obama reivindicou a renúncia de Assad , afirmando que ele perdeu sua legitimidade como governante, e defende sanções contra o país por parte do Conselho de Segurança da ONU.

Com AP

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