Embaixador líbio nos EUA renuncia e pede que Kadafi deixe cargo

Diplomatas líbios também renunciaram na Indonésia, Índia, China e Áustralia; no Brasil, embaixada funciona normalmente

iG São Paulo | 22/02/2011 12:27

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O embaixador da Líbia nos Estados Unidos, Ali Aujali, renunciou ao cargo nesta terça-feira, em protesto contra a violenta resposta do governo do presidente Muamar Kadafi às manifestações por sua renúncia. Os embaixadores líbios na Indonésia, Índia, China, Austrália e diplomatas do país na Liga Árabe e na ONU também deixaram o governo.

A Embaixada da Líbia no Brasil funciona normalmente, sem alterações de rotina nem orientações. Em Brasília há quase quatro anos, o embaixador líbio, Salem Ezubedi, manteve inalteradas suas atividades sinalizando fidelidade ao governo.

Nos Estados Unidos, porém, o diplomata líbio fez duras críticas ao regime de Kadafi. "Como posso apoiar um goveno que mata nosso povo?", questionou Aujali, em entrevista à agência Associated Press. "O que vejo diante de meus olhos é inaceitável."

Aujali trabalhou para o governo da Líbia nos últimos 40 anos e era embaixador do país nos EUA desde 2009. Ele fez um apelo para que Kadafi, no cargo desde 1969, deixe o poder. "Não há outra solução. Ele deve renunciar e dar ao povo a oportunidade de decidir seu futuro", afirmou.

O embaixador líbio na Indonésia, Salaheddin M. El Bishari, também anunciou sua renúncia nesta terça-feira. "Os soldados estão matando civis desarmados sem perdão. Estão usando armamento pesado, jatos e mercenários contra a própria população", afirmou, em entrevista ao jornal "Jakarta Post". "Cansei, não vou mais tolerar isso."

Na Malásia, os diplomatas não renunciaram a seus cargos mas manifestaram apoio aos protestos. "Condenamos fortemente esse massacre criminoso e bárbaro de civis inocentes", afirmou a embaixada líbia, em comunicado.

Os embaixadores líbios na Austrália, Índia e China já haviam anunciado sua renúncia, assim como o embaixador da Líbia junto à Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, e o ministro da Justiça Mustafá Abdel Yalil. A delegação da Líbia na ONU anunciou a ruptura com o regime e fez um apelo pela renúncia de Kadafi, sem deixar claro se o embaixador líbio na organização, Abdurrahman Shalgham, concordou com a decisão. Shalgham não é visto desde sexta-feira.

'Massacre'

Testemunhas afirmaram que ocorreu um "massacre" na capital da Líbia, Trípoli, durante operações de repressão. Desde segunda-feira, há relatos - negados por autoridades - de que aviões atiraram contra civis que circulavam pelas ruas.

"Eles não fazem distinção (entre civis e militares), estão atirando para limpar as ruas", disse nesta terça à BBC News um morador de Trípoli, que não quis se identificar. "(Os atiradores) não são humanos, não sei o que são."

"Vi uma mulher ser morta apenas por ter saído em sua varanda. Ela não estava fazendo nada, não estava protestando. Apenas olhou pela sua varanda. E minha esposa ouviu o barulho de aviões bombardeando as pessoas", acrescentou o mesmo morador.

Moradores de um bairro da cidade disseram que há dezenas de corpos espalhados pelas ruas e que o número de feridos é alto. Outros disseram que mercenários estavam patrulhando as ruas e abrindo fogo indiscriminadamente, inclusive contra equipe médicas.

Não é possível obter uma confirmação oficial sobre o número de mortes. Há poucos jornalistas no país, e o trabalho da imprensa internacional vem sendo reprimido pelo regime de Khadafi. Estima-se, entretanto, que as vítimas fatais do conflito sejam entre 200 e 300.

Já a TV estatal divulgou um comunicado negando que tenha havido massacres e classificou relatos de testemunhas como "mentiras" elaboradas pela imprensa internacional. "Isso é parte de uma guerra psicológica a que você (povo líbio) deve resistir, porque o objetivo disso é demolir sua moral", dizia o comunicado.

Com AP, AFP, Agência Brasil e BBC

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