Em reunião na Turquia, países discutem formas de pressionar Síria

Países ocidentais e árabes reunido no grupo 'Amigos da Síria' estudam armar oposição na luta contra Bashar Al-Assad

iG São Paulo |

Ministros das Relações Exteriores de mais de 70 países ocidentais e árabes participam neste domingo de uma reunião em Istambul, na Turquia, para discutir maneiras de pressionar o regime sírio e apoiar a oposição.

Um dia antes da segunda reunião do grupo, que se autodenomina "Amigos da Síria", líderes da oposição dizem que agora apoiam os pedidos para que armamentos sejam enviados para os rebeldes. Eles afirmam que a aceitação do plano de paz proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Liga Árabe é um plano do presidente Bashar Al-Assad para ganhar tempo.

Leia também: Annan pede que Assad aplique plano para Síria 'agora'

AP
Autoridades participam de reunião sobre a Síria em Istambul, na Turquia

O encontro dos ministros em Istambul, que inclui a secretária de Estado americana Hillary Clinton, deve manter a pressão diplomática sobre Assad, insistindo que ele ponha em prática o plano proposto por Kofi Annan, enviado da ONU e da Liga Árabe ao país. A aceitação do plano por parte de Assad é vista com ceticismo por governos árabes e ocidentais.

Também deverá haver mais pedidos por ajuda financeira para vítimas do conflito e para o Conselho Nacional Sírio (CNS), o principal grupo de oposição. Horas antes da conferência, o CNS pediu pela primeira vez aos países vizinhos que permitam que armamentos cheguem ao Exército Livre Sírio, formado por insurgentes.

"Pedimos pela necessidade do Exército Livre Sírio de armas, para que ele possa defender as vidas do povo sírio. Esperamos que os Amigos da Síria adotem nossa posição", disse o chefe do conselho, Burhan Ghalioun.

Hillary Clinton conversou com oficiais sauditas em Riyadh neste sábado para discutir modos de pressionar Damasco. O ministro das Relações Exteriores saudita, Saud Al-Faisal, disse, em um pronunciamento conjunto com Clinton, que armar a oposição síria é um "dever", porque os insurgentes "não podem se defender, a não ser com armas".

O líder do CNS, falando de Istambul, afirmou que a aceitação de Assad ao plano é mais uma "mentira e uma manobra" para ganhar tempo. "Não temos ilusões sobre a possibilidade do sucesso desta missão porque Bashar Al-Assad e o regime sírio não tem credibilidade para empenhar-se no processo político", afirmou. "Logo vai ser óbvio que o regime não implementará nem a primeira cláusula do acordo.

Neste sábado, o governo sírio declarou vitória sobre os combatentes rebeldes e afirmou que os soldados permanecerão nas cidades até que "a paz e a segurança" prevaleçam. Ativistas dizem que os choques deste fim de semana deixaram pelo menos 25 mortos, com os contínuos bombardeios das forças de segurança a Homs e outras áreas.

A missão de paz da ONU na Síria pediu que os soldados fossem retirados como "um ato de boa fé". No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Jihad Makdisi anunciou neste sábado que os soldados permanecerão nas áreas residenciais das cidades.

Makdisi disseà mídia estatal que o governo acredita que as tentativas da oposição de derrubá-lo terminaram. "A batalha agora é para assegurar a estabilidade e concentrar mentes no processo de reforma e desenvolvimento da Síria. Ao mesmo tempo, (a batalha) é para impedir que outros - os que querem destruir o processo de reformas - consigam seu objetivo", disse.

Com BBC

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