Em reunião, ministros da Otan reforçam 'objetivo comum' na Líbia

Coalizão tenta passar mensagem de unidade e acabar com divisão interna; aliança ocidental pede reforços de aviões

iG São Paulo |

Ministros de Exterior da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reforçaram nesta quinta-feira que o objetivo de todas as nações envolvidas na operação militar na Líbia é acabar com o regime do líder Muamar Kadafi. Durante encontro em Berlim, na Alemanha, os ministros tentaram passar uma mensagem de unidade e acabar com as aparentes divisões entre o grupo.

Nesta semana, a França e a Grã-Bretanha cobraram ação mais forte da Otan. O ministro francês das Relações Exteriores, Allan Juppé, chegou a dizer que a aliança não faz "o suficiente" para proteger os civis líbios.

AP
Ao lado do ministro britânicos das Relações Exteriores, William Hague, secretária de Estado americana Hillary Clinton pisca durante reunião da Otan em Berlim

Em Berlim, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que todos os integrantes da Otan "compartilham o mesmo objetivo, que é acabar com o regime de Kadafi na Líbia". "Os Estados Unidos estão comprometidos com nossa missão comum", afirmou aos demais ministros. "Vamos dar apoio forte à coalizão até que o trabalho esteja completo".

A exemplo do que ocorreu na reunião do chamado grupo de contato, que reúne países contrários ao governo de Kadafi, França e Grã-Bretanha devem pressionar para que mais países colaborem com reforços militares para a operação.

A Otan assumiu o comando da ofensiva na Líbia, iniciado por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha. Entretanto, há divergências sobre o rumo que a aliança deve seguir daqui para frente. Entre as funções da Otan estão policiar um embargo marítimo de armas e manter uma zona de exclusão aérea.

nullO comando estritamente militar da operação já expressou sua satisfação com o cumprimento desses objetivos. Entretanto, os governos britânico e francês querem a participação de outros países em ações mais agressivas, como atacar alvos no solo. Os mais prováveis candidatos para prover ajuda seriam a Itália e a Espanha.

A Grã-Bretanha afirmou que está fornecendo aos rebeldes mil coletes à prova de balas e cem telefones via satélite. Na quarta-feira, um porta-voz do governo francês disse que o país não está enviando armas para os rebeldes, mas que "isso não quer dizer que não simpatizemos com quem está".

O ministro do Exterior líbio, Khaled Kaim, acusou o Catar de fornecer armas antitanques francesas para os rebeldes e enviar instrutores militares para o leste do país, controlado pelas forças de oposição. As acusações também foram feitas contra o grupo libanês xiita Hezbollah. Nenhuma delas pôde ser verificada de maneira independente.

Crise humanitária

No país, os combates prosseguiram na quarta-feira entre forças pró e contra Kadafi, com relatos de fortes explosões na capital, Trípoli. A TV líbia disse que bombardeios da Otan atingiram as cidades de Al-Aziziya e Sirte. A aliança afirmou ter bombardeado posições de defesa próximas da capital. Há relatos de que rebeldes teriam feito avanços na cidade de Misrata, a única controlada por opositores do regime no oeste do país.

Em Doha, no Catar, o grupo de contato formado por Estados Unidos, potências militares europeias, países do Oriente Médio e organizações internacionais pediu que Kadafi renuncie ao poder e anunciou um fundo para financiar diretamente os rebeldes líbios. O documento final do encontro não mencionou valores, mas garantiu que os recursos atenderão às necessidades financeiras dos rebeldes.

O conflito será tema nesta quinta-feira de um encontro da União Africana e da Organização da Conferência Islâmica, no Cairo, no qual são esperados os secretários-gerais da ONU, Ban Ki Moon, e da Liga Árabe, Amr Moussa, mais a comissária de política externa da União Europeia, Catherine Ashton.

Na quarta-feira, Ban Ki-moon se disse preocupado com o efeito da ação militar sobre os cerca de 6 milhões de habitantes da Líbia. "No pior cenário, até 3,6 milhões de pessoas vão precisar de ajuda humanitária", disse.

Segundo o secretário-geral da ONU, 2,7 mil pessoas cruzam as fronteiras líbias para o Egito e a Tunísia diariamente, e já há cerca de 330 mil desalojados internos no país. Cerca de 490 mil pessoas já deixaram o país desde o início dos conflitos, em fevereiro.

Com AP e BBC

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