Em protesto contra repressão do governo, políticos renunciam em massa na Síria

Mais de 200 integrantes do Baath anunciam demissão coletiva para condenar violência em Deraa

iG São Paulo |

Mais de 200 membros do partido governista sírio Baath anunciaram nesta quarta-feira uma demissão coletiva, em protesto contra a repressão violenta do governo contra manifestantes em Deraa, no sul do país.

Em um comunicado conjunto, os políticos criticaram "a postura negativa tomada pelo partido Baath nos eventos na Síria, particularmente em Deraa" e disseram que a decisão foi tomada também "pelas dezenas de pessoas que foram mortas e pelas milhares que foram feridas nas mãos das forças de segurança".

AFP
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Os 203 políticos não eram do alto escalão do partido, mas sim representantes locais. Ainda assim, a renúncia em massa indica que algumas áreas estão saindo do controle do governo.

Os conflitos no país começaram justamente em Deraa, no começo de março, e rapidamente se espalharam pelo país. Centenas de pessoas já foram mortas durante os protestos.

As manifestações são a mais grave ameaça enfrentada pelo governo de Bashar al-Assad desde que ele substituiu seu pai, Hafez, há 11 anos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, já havia condenado o uso de tanques e munição pelo governo da Síria para conter manifestantes.

Líbano

Nesta quinta-feira, autoridades de segurança libanesas disseram que centenas de pessoas cruzaram a fronteira entre Síria e Líbano fugindo da violência em território sírio, que há semanas é palco de confrontos entre manifestantes que pedem mudanças no governo e as forças fieis ao presidente Bashar Al-Assad.

Segundo os relatos, as pessoas que entraram no norte do Líbano, em sua maioria mulheres e crianças, estavam fugindo de tiroteios na cidade síria de Tell Kalakh, perto da fronteira.

A agência estatal de notícias síria disse que um “grupo armado terrorista” atacou a polícia nas proximidades da cidade, matando duas pessoas e ferindo cinco. Testemunhas disseram ter ouvido mais disparos na cidade de Deraa, principal palco dos protestos de oposicionistas, que foi tomada por tanques e soldados do Exército na última segunda-feira em uma tentativa do governo de controlar as manifestações.

Há relatos de mais protestos e disparos em outras partes do país, como em cidades ao norte da capital, Damasco, enquanto os manifestantes se preparam para realizar um "dia de fúria" na sexta-feira. Na jornada de protestos, os manifestantes pretendem dar apoio aos insurgentes de Deraa e pedir a saída de Assad, que está há 11 anos no poder.

Ativistas pró-direitos humanos estimam que cerca de 500 pessoas já foram mortas na Síria devido à repressão à onda de manifestações. Este número não pode ser confirmado de maneira independente, já que jornalistas estrangeiros são proibidos de entrar no país.

*Com BBC

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