Em prece, milhares homenageiam mortos em protestos no Cairo

Reza coletiva, comum em Meca, é rara no Egito por normalmente se limitar às mesquitas; muitos choraram ao lembrar das vítimas

iG São Paulo |

Dezenas de milhares de egípcios participaram nesta sexta-feira da oração do meio-dia na praça Tahrir, com rezas compartilhados por muçulmanos e cristãos em um momento de emoção sem precedentes na história recente do Egito.

O ritual, dirigido por um ímã, foi seguido com grande fervor por manifestantes da oposição que chegam maciçamente ao local, epicentro dos protestos contra o regime de Hosni Mubarak. Em seu sermão, o ímã chorou e solicitou orações pelos mortos da revolta popular, um pedido que foi seguido com lágrimas por muitos dos participantes do ato. "Os protestos dos jovens se transformaram em um movimento nacional", afirmou.

Segundo a ONU, 300 morreram no Egito desde 25 de janeiro, incluindo ao menos os oito mortos em confrontos entre partidários e adversários de Mubarak nas batalhas campais de quarta e quinta-feira.

As preces foram feitas durante o que a oposição espera seja "o dia da saída" do presidente egípcio. "É um movimento egípcio. Todos participaram, muçulmanos e cristãos, para exigir os direitos que lhes roubaram", declarou o imã que liderou a oração, identificado como Khaled al Marakbi pelos fiéis reunidos nessa praça central, onde estão atrincherados há 11 dias os opositores de Mubarak.

O ímã também disse que cristãos e muçulmanos estão participando do protesto juntos. Nas orações de meio-dia desta sexta-feira (8h em Brasília), acompanhada por uma imensa maioria de muçulmanos, também se viam cristãos fazendo suas próprias preces. "É um momento crucial", afirmou Adam Molyneuh, um dos manifestantes que se encontravam nesta sexta-feira na praça Tahrir.

"Não temos um partido que nos represente e expresse nossas reivindicações. Aquele que quiser negociar, que venha aqui para falar", afirmou o irmã. "Estamos livres e queremos viver livres. Peço que tenham paciência até a vitória", completou.

Tão logo acabou a cerimônia, os manifestantes começaram a gritar "vá embora, vá embora já" para pedir a renúncia do presidente, de 82 anos, que está há 30 anos no poder.

A imagem de multidões rezando ao mesmo tempo é frequente em Meca por ocasião das peregrinações anuais, mas não no Egito, onde as orações de meio-dia da sexta-feira, o momento religioso mais importante da semana para o Islã, limitam-se à intimidade das mesquitas.

*Com EFE e AFP

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