Em meio a vácuo de poder, confrontos ameaçam cessar-fogo no Iêmen

Presidente Saleh, que está se tratando de ferimentos de ataque na Arábia Saudita, voltará ao país nos próximos dias, diz vice

iG São Paulo |

Um cessar-fogo na capital do Iêmen ficou sob risco de fracassar nesta segunda-feira depois que partidários do regime abriram fogo contra combatentes da oposição em novos confrontos que deixaram ao menos seis mortos. A violência aumentou os temores de uma situação potencialmente explosiva depois que o presidente Ali Abdullah Saleh criou um vácuo de poder ao deixar o país para se tratar na Arábia Saudita de ferimentos causados em um ataque contra o palácio presidencial na sexta-feira.

A partida de Saleh estimulou celebrações de multidões de manifestantes que tentam há meses pôr fim há um regime de 33 anos. Mas até agora Saleh parece determinado a retornar ao país e continuar se agarrando ao poder depois de se recuperar da cirurgia. Segundo o vice-presidente iemenita, Abdo Rabbo Mansour, Saleh "voltará a território nacional nos próximos dias".

AP
Soldados que desertaram do Exército do Iêmen assumem posições em rua da capital, Sanaa
Na ausência de Saleh, partidos de oposição tentam estabelecer uma transição, pressionando pelo renascimento da iniciativa apoiada por EUA e Arábia Saudita. Sob o acordo, Saleh oficialmente renunciaria, e um governo de unidade entre o partido governista e a oposição seria formado e novas eleições presidenciais ocorreriam dentro de dois meses.

Mas, nas últimas semanas, Saleh rejeitou três vezes assinar o acordo, e autoridades em seu regime disseram nesta segunda-feira que nada poderia ser feito sem sua aprovação, mesmo enquanto estiver na Arábia Saudita.

Manifestações no domingo

Milhares de manifestantes cantaram e dançaram nas ruas da capital do Iêmen, no domingo, comemorando a partida de Saleh. "O país está mais bonito sem você", dizia uma placa carregada por um iemenita, um dos milhares de opositores de Saleh que acampam desde o início de fevereiro em uma área da capital Sanaa, que têm sido chamada de a Praça da Mudança.

Manifestantes dançaram a noite toda depois da notícia, na noite de sábado, de que Saleh havia voado para a vizinha Arábia Saudita para uma cirurgia de remoção de estilhaços em seu peito . Na cidade de Taiz, milhares de pessoas celebraram a partida de Saleh com um espectáculo pirotécnico.

Até o ataque de sexta-feira, Saleh se manteve no poder desafiando a pressão internacional e os protestos internos inspirados nas revoltas no Egito e na Tunísia. "Vencemos, finalmente. A revolução foi bem-sucedida. Saleh não vai voltar", disse um ativista, embora outros estivessem menos confiantes quanto a uma partida definitiva.

A capital, que tem sido palco de combates cada vez mais violentos desde que Saleh se recusou a assinar uma iniciativa de paz do Golfo no mês passado, estava mais tranquila no domingo. Os grupos armados que vinham lutando nas ruas desapareceram durante a noite e menos famílias foram vistas fugindo da cidade.

Os combates entre as forças armadas de Saleh contra tribos e unidades do exército do lado dos manifestantes deixaram mais de 200 mortos desde que os protestos começaram em janeiro. Nos últimos meses, a eletricidade foi cortada cerca de dez horas por dia, mas o fornecimento foi normalizado na noite de sábado, depois de que Saleh deixou o país.

Durante as comemorações, alguns estavam preocupados com o retorno de Saleh. "A nossa felicidade será completa quando tivermos a certeza de que Saleh não voltará," disse um residente em um café local.

Alguns ativistas disseram Saleh deixou um número suficiente de partidários para trás para indicar que ele pretende permanecer no poder. Mas muitos acreditam que a Arábia Saudita pode convencê-lo a entregar o poder, agora que ele está no país.

Algumas pessoas na cidade de Aden estavam preocupadas com a escalada da violência na ausência de Saleh. "As pessoas estão preocupadas com o que acontecerá depois da saída de Saleh. Elas estão mais preocupadas com um golpe militar e disputas pelo poder dentro do Exército", disse Farouq, um jornalista local.

*Com AP e Reuters

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