Em entrevista à TV síria, Kadafi nega ter fugido ao Níger

Líder deposto diz que 'não deixará a terra de seus ancestrais' e diz que jovens líbios estão 'prontos para aumentar resistência'

iG São Paulo |

AP
Rebelde remove pôster pró-Kadafi na estrada que leva à Bani Walid, um dos últimos redutos de partidários do líder deposto
O líder deposto da Líbia, Muamar Kadafi, negou nesta quinta-feira que tenha fugido para o Níger e classificou os rumores de que ele teria cruzado a fronteira entre os dois países como mentiras e "guerra psicológica". Na terça-feira, um comboio com cerca de 50 veículos líbios fortemente armados cruzou a fronteira para o Níger.

Em uma entrevista telefônica à TV síria, que teria sido feita a partir de uma localidade não determinada dentro do território líbio, Kadafi afirmou que não havia nada de anormal sobre os comboios que entraram no Níger.

Ele garantiu que seus aliados derrotarão as forças da Otan e do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes.

"Os jovens estão agora prontos para aumentar a resistência contra os 'ratos' em Trípoli e acabar com os mercenários", afirmou. "Eles estão tentando desmoralizar vocês, mas Kadafi não vai deixar a terra de seus ancestrais", completou, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa.

Horas depois do pronunciamento de Kadafi, o procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, pediu à Interpol que emita uma "circular vermelha" para deter Kadafi. A "circular vermelha" tem como objetivo a detenção provisória de um indivíduo para sua extradição ou transferência para uma corte internacional.

A procuradoria do TPI pediu à Interpol medida similar para a detenção de Saif Al Islam, filho do ditador líbio, e Abdullah al Senussi, seu cunhado e diretor da inteligência militar do regime.

Também nesta quinta-feira, o presidente do Banco Central líbio, Qasem Azoz, afirmou que nos últimos dias do regime Kadafi vendeu mais de 20% das reservas de ouro do país. De acordo com ele, quase 29 toneladas de ouvo, avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, foram vendidas a comerciantes locais.

Níger

O ministro das Relações Exteriores do Níger, Mohamed Bazoum, afirmou que cerca de 20 integrantes do antigo regime líbio conseguiram se refugiar na capital nigerina, Niamei, e estão "sob controle" do governo local. De acordo com Bazoum, eles serão tratados de acordo com leis internacionais de refúgio e terão a liberdade de ir embora se quiserem.

À BBC, Bazoum afirmou que as autoridades do Níger estão analisando como lidar com Kadafi se ele tentar entrar no país em busca de refúgio. Segundo ele, o governo decidiria posteriormente se aceitaria abrigar Kadafi ou se o entregaria ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

O Níger reconhece o TPI, que pede a prisão de Kadafi, de seu filho Saif al-Islam e de seu ex-chefe de inteligência Abdullah Sanussi. O país também reconheceu na semana passada o CNT como novo governo de fato da Líbia.

Membros da oposição a Kadafi na Líbia dizem acreditar que o comboio carregava dinheiro e ouro do regime, além de combatentes de etnia tuaregue recrutados pelo líder líbio.

Também há relatos de que o chefe de segurança de Kadafi, Mansour Daw, esteja abrigado no Níger, tendo entrado em um comboio que chegou ao país no domingo.

Já a mulher do líder líbio, dois de seus filhos e sua filha se refugiaram na Argélia na semana passada.
Burkina Faso, que faz fronteira com o Níger, negou relatos de que teria oferecido asilo a Kadafi.

Especulações

Um alto membro do CNT, Fathi Baja, afirmou que as novas autoridades líbias pedirão ao Níger que envie de volta à Líbia qualquer colaborador de Kadafi. Ele também afirmou que se ficar comprovado que os aliados de Kadafi levaram recursos do antigo regime ao Níger, o CNT exigirá o retorno do dinheiro.

O paradeiro de Kadafi ainda é objeto de especulações, mas os combatentes do conselho de transição acreditam que ele ainda esteja na Líbia.

Um porta-voz da Otan afirmou que Kadafi não é alvo de suas operações na Líbia, mas que a organização continuará a bombardear "centros de comando e controle" ligados ao ex-líder.

"Se tivermos informações de inteligência que revelem que ataques estão sendo coordenados de alguma localidade específica ou que comunicações estão sendo enviadas ou recebidas para promover ataques ou com ameaças de ataques, nós agiremos", afirmou.

O CNT vem tentando negociar uma solução pacífica para impasses em algumas cidades do país ainda controladas por forças leais a Kadafi. A lista inclui as cidades de Bani Walid, Jufra, Sabha e Sirte, cidade natal do ex-líder.

O CNT posicionou suas forças no entorno de Bani Walid e diz que as tentativas de negociação continuarão até o sábado, quando vence um ultimato dado aos aliados de Kadafi.

Com BBC, AFP e AP

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