Documento reúne assinaturas do italiano Umberto Eco, da iraniana Shirin Ebadi e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso contra presidente sírio

Cerca de 50 intelectuais, ex-dirigentes políticos e ganhadores do prêmio Nobel da Paz pediram ao Conselho de Segurança da ONU para que detenha “a licença para matar" do presidente sírio, Bashar al-Assad , em uma carta ao diretor publicada na segunda-feira pelo Financial Times.

Os 47 signatários que se colocam contra a repressão das forças leais a Assad, entre eles o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, a prêmio Nobel guatemalteca Rigoberta Menchú e o escritor italiano Umberto Eco, denunciam as diferenças reinantes no Conselho da ONU que impediram uma resposta conjunta à crise.

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AP
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"As divisões entre a comunidade internacional proporcionaram ao governo de Assad uma licença para matar. Esta licença deve ser retirada", afirmam no documento as personalidades originárias de mais de 25 países. A carta é divulgada no mesmo dia em que acontece, em Nova York, uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, na qual a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu unidade no órgao das Nações Unidas.

Os autores da carta se dirigem especialmente à

Rússia, aliada tradicional da Síria, que nos últimos meses bloqueou duas resoluções do Conselho de Segurança contra esse país

, onde a violência causou milhares de mortes. "Pedimos ao governo russo que se una aos esforços coletivos para por fim rapidamente ao conflito e restaurar a paz e a estabilidade na Síria e na região que a rodeia", acrescentaram no documento.

Os signatários, que também incluem a Nobel da Paz iraniana Shirin Ebadi, o Nobel sul-africano Frederik de Klerk e a ex-ministra espanhola de Relações Exteriores, Ana de Palacio, pedem ao Conselho de Segurança a adoção de uma nova resolução "por consenso".

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Ajuda humanitária

Segundo eles, o texto deveria principalmente "instar as autoridades sírias a encerrar imediatamente todos os ataques ilegais contra sua população" e a permitir a chegada de ajuda de emergência em cumprimento do direito internacional.

"É responsabilidade de todos nós impedir as mortes potenciais de outros milhares de homens, mulheres e crianças que necessitam desesperadamente de nossa ajuda", ressaltou o documento.

Denúncia

Também nesta segunda-feira, o diplomata brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, responsável por investigar violações de direitos humanos na Síria, denunciou em Genebra que o governo da Síria tem submetido civis a punições coletivas e suas forças continuam sendo acusadas de perpetrar execuções e prisões em massa no bairro de Baba Amr, em Homs.

Em Nova York, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu a Rússia e China que mudem sua postura no Conselho de Segurança e apoiem o plano de transição elaborado para a Síria pela Liga Árabe, que prevê a renúncia de Assad, para deter "os assassinatos de sírios inocentes".

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"Acreditamos que chegou o momento de todas as nações, inclusive aquelas que bloquearam anteriormente nossos esforços, apoiarem a aproximação humanitária e política da Liga Árabe", disse Hillary ao Conselho, ao se referir a Moscou e Pequim, que vetaram duas resoluções contrárias à Síria.

*Com AFP

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