Em áudio, Muamar Kadafi nega rumores de que estaria ferido

Líder líbio disse estar em lugar seguro onde bombardeios da Otan não podem alcançá-lo, segundo TV estatal

iG São Paulo |

Diante de rumores de que teria sido atingido por um ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o líder líbio, Muamar Kadafi, negou nesta sexta-feira estar ferido, e disse que está em um lugar onde os bombardeios da Otan não podem alcançá-lo, segundo uma gravação de áudio divulgada pela rede de televisão estatal. Kadafi qualificou o recente ataque da Otan como "covarde" e agradeceu" aos dirigentes e chefes de Estado" que se interessaram por seu estado de saúde após o bombardeio de quinta-feira em Trípoli.

AP
Reprodução de televisão líbia mostra líder Muamar Kadafi durante encontro com líderes tribais em Trípoli (11/05/2011)

"Digo a vocês que vossos bombardeios não me alcançarão, milhões de líbios me levam em seu coração", disse o líder líbio.

Pouco antes, o porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim, havia assegurado que Kadafi se encontrava em Trípoli em bom estado de saúde, em resposta ao ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, que citou o bispo católico de Trípoli, Giovanni Innocenzo Martinelli , sobre o líder estar ferido e ter deixado a cidade. Ibrahim afirmou que o coronel está em "ótima saúde" na capital e desmentiu os rumores.

Os rumores começaram após um ataque da Otan na noite de 30 de abril em Trípoli, que matou o filho mais novo de Kadafi, Saif al-Arab, e três de seus netos. Desde então, o líder líbio não havia feito nenhuma aparição pública nem pronunciado discursos às emissoras do país, como fez desde o início da rebelião, em meados de fevereiro. Na quinta-feira, no entanto, a televisão estatal voltou a exibir imagens de Kadafi, as quais assegurou terem sido gravados no dia anterior em um hotel de Trípoli durante uma reunião com líderes tribais.

Na suposta casa de Saif al-Arab bombardeada pela Otan se encontravam também o coronel e sua mulher, que saíram ilesos do ataque, segundo Ibrahim. 

Também nesta sexta-feira, o promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, anunciou que pedirá na segunda-feira que sejam emitidas ordens de prisão contra "três pessoas que parecem ter a maior responsabilidade" nos crimes contra a humanidade cometidos na Líbia.

"Em 16 de maio de 2011, o escritório do promotor pedirá à câmara preliminar do TPI que emita ordens de captura contra três pessoas que parecem ter a maior responsabilidade nos crimes contra a humanidade cometidos no território líbio desde 15 de fevereiro", afirma um comunicado de Ocampo.

Os nomes das três pessoas não foram revelados."Os juízes podem decidir se aceitam o pedido, se o rejeitam ou se pedem informações adicionais ao escritório (do procurador)", completa a nota.

Luis Moreno Ocampo já havia anunciado a abertura de uma investigação por crimes contra a humanidade na Líbia, centrada em oito pessoas, incluindo o ditador Muamar Kadafi e três de seus filhos.

Ofensiva diplomática

O anúncio foi feito enquanto os líderes do levante líbio tentam ganhar legitimidade internacional com o aumento das visitas ao exterior, após vitórias da rebelião contra as tropas governamentais no campo de batalha.

O chefe da diplomacia da rebelião, Mahmud Jibril, encontra-se nos Estados Unidos para uma visita de vários dias e será recebido nesta sexta-feira na Casa Branca pelo conselheiro do presidente Barack Obama para a Segurança Nacional, Tom Donilon.

Jibril se reuniu na quarta-feira com o presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado, John Kerry, que anunciou a preparação de um projeto de lei para permitir o uso pelos rebeldes de alguns bens bloqueados por Kadafi.

Jibril previu a queda do regime de Kadhafi nas próximas semanas e pediu ajuda financeira dos EUA aos rebeldes. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, prometeu ajuda ao povo líbio. Fontes do governo americano indicaram que o auxílio aos insurgentes, em curto prazo, pode superar US$ 150 milhões de dólares.

Também no campo diplomático, o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes), Mustafah Abdeljalil, está em Londres, depois de ter passado por Paris e Roma. O primeiro-ministro britânico convidou o CNT a abrir em Londres seu primeiro escritório de representação na Europa, além de ter prometido milhões de libras em equipamentos para a polícia de Benghazi, reduto dos rebeldes no leste da Líbia, e material de comunicação.

Grã-Bretanha, França e Itália já anunciaram considerar o CNT o interlocutor político legítimo da Líbia. A ofensiva diplomática acontece no momento em que os rebeldes, estimulados pelo êxito militar no aeroporto de Misrata (oeste), pretendem avançar até Zlitan, localizada a 200 km ao oeste da capital, Trípoli.

AFP
Rebeldes líbios voltam de operação na cidade de Ajdabiya, na Líbia (12/05)
*Com EFE

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