Em áudio, Kadafi diz que permanece em Trípoli 'vivo ou morto'

Otan lança à luz do dia mais de 20 bombardeios na capital da Líbia; Obama promete intensificar pressão até saída de líder

iG São Paulo |

A TV estatal líbia divulgou nesta terça-feira o que diz ser uma mensagem de áudio do líder do país, Muamar Kadafi, na qual afirma que permanecerá na capital do país, Trípoli, "vivo ou morto". Na gravação, o homem identificado como o líder líbio disse que morrer como mártir seria "um milhão de vezes melhor do que se render".

AFP
Fumaça é vista subindo de local de explosão em área onde o líder líbio, Muamar Kadafi, tem sua residência em Trípoli
Ele pediu para que seus simpatizantes se concentrem em instalações militares para desafiar os bombardeios da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). "O povo líbio marchará, a leste ou oeste, ou qualquer lugar onde estejam as gangues armadas", disse ele.

Ao se referir à Otan, Kadafi disse que "seus aviões não conseguirão impedir essas marchas de milhões, nem as gangues armadas que vocês apoiam resistirão por um minuto sequer".

Nesta terça-feira, a Otan realizou mais de 20 bombardeios em Trípoli em um dos dias mais intensos desde o início dos ataques no país, em março.

Os jatos da Aliança Ocidental sobrevoaram em baixa altitude a cidade atacando alvos que o governo do país reconheceu serem instalações militares da guarda de Kadafi. O porta-voz do governo Moussa Ibrahim condenou os ataques, dos poucos até agora realizados durante o dia. "Em vez de conversar, eles nos bombardeiam. Eles estão enlouquecendo, perdendo a razão", disse.

Diplomacia

Os ataques acontecem em meio ao aumento da pressão para que Kadafi deixe o poder.
Ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente americano, Barack Obama, disse nesta terça-feira que a pressão contra o líder líbio será intensificada até que ele deixe o poder. "Eu e a chanceler fomos muito claros. Kadafi deve deixar o poder e prestar contas aos líbios, e a pressão se intensificará até que o faça", declarou Obama.

Obama afirmou que há uma "tendência inexorável" para a saída de Kadafi.

Estados Unidos e Alemanha mostraram-se divididos em relação aos esforços internacionais para obrigar Kadafi a abandonar o poder, e Berlim se absteve no Conselho de Segurança da ONU (do qual é membro não permanente) na votação que autorizou ataques militares para proteger a população civil.

Ainda nesta terça-feira, o presidente da Mauritânia, Mohamed Ould Abdle Aziz, disse que a saída de Kadafi se tornou necessária para o fim da crise. "O que quer que aconteça, deve acontecer uma solução negociada. Em todo caso, Kadafi não pode mais liderar a Líbia. Sua saída se tornou necessária", disse à agência France Presse.

Também nesta terça-feira, Rússia e China mantêm altos diplomatas na cidade de Benghazi, reduto rebelde da Líbia, para conversar com os rebeldes.

Trípoli, por sua vez, enviou seu chanceler para Pequim, em um movimento que analistas dizem ser uma tentativa do regime de Kadafi de recuperar apoio internacional.

*Com BBC e AFP

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