Em 24 horas, milhares de refugiados sírios chegam à Turquia

País segue política de portas abertas e aceita a entrada dos refugiados, que já somam 21 mil

iG São Paulo |

A entrada de refugiados sírios na Turquia se intensificou nas últimas 24 horas com a chegada de pelo menos 2,3 mil pessoas através da fronteira, segundo dados da emissora britânica BBC. A fuga em massa ocorre dias antes de vencer o prazo para um cessar-fogo negociado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A agência de notícias "Anadolu", por outro lado, informou que o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, entrou em contato durante a madrugada com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para comunicar que o número de refugiados sírios alcançava 2,5 mil.

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Reuters
Crianças caminham em campo de refugiados em Hatay, província turca na fronteira


Segundo Davutoglu, no lado sírio da fronteira estão sendo produzidas intensas operações com helicópteros militares, acrescentou a "Anadolu".

A Direção de Catástrofes e Situações de Emergência turca (AFAD, na sigla em inglês) informou da chegada de 1,6 mil refugiados em 48 horas, com o que aumento para 21 mil o número de sírios amparados atualmente em acampamentos na Turquia, mas a tendência parece ter se intensificado nas últimas horas.

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A "NTV", emissora turca, relata que os refugiados chegam - carregados de sacolas e malas - em tratores, motocicletas ou micro-ônibus.

Desde que o fluxo de refugiados começou, em maio do ano passado, a Turquia segue uma política de portas abertas e aceita a entrada, sem formalidades e em qualquer ponto da fronteira, de todos os sírios que desejam sair de seu país.

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Os recém-chegados são recolhidos habitualmente por caminhonetes militares ou ambulâncias e transferidos a algum dos sete acampamentos estabelecidos na província fronteiriça de Hatay, no sul do país.

Mais de oito mil refugiados sírios foram transferidos na quinta a uma recém-construída "cidade" de casas pré-fabricadas na vizinha província de Kilis, e há outra preparada para um número ainda maior na província de Gaziantep, ao nordeste de Hatay.

Violência

A aproximação do vencimento do prazo para a implementação de um cessar-fogo parece ter aumentado a violência na Síria em vez de diminui-la. Segundo a BBC, grupos ativistas disseram que ao menos 60 pessoas foram mortas com bombardeios e tiros das forças de segurança nesta quinta-feira em várias partes do país, principalmente na cidade central de Homs e na província de Idlib.

Nesta sexta, ativistas relataram fogo em pelo menos três centros urbanos na sexta-feira: a cidade de Douma, perto de Damasco; a cidade rebelde de Homs e Rastan, a norte de Homs. "Tanques entraram em Douma ontem à noite e depois saíram. Hoje de manhã cedo eles voltaram. Não temos certeza se pessoas foram mortas, mas o bombardeio não parou", afirmou um ativista local.

"Pelo menos cinco tanques e 10 ônibus carregados com os homens de segurança e Shabiha (pró-Assad milícia) entrou Douma", acrescentou.Em Rastan, "os tanques começaram a avançar na parte da manhã ... Então a artilharia começou", afirmou outro ativista.

Dados sobre violência são difíceis de verificar no país, porque o governo da Síria restringe o acesso aos jornalistas independentes.

O presidente sírio Bashar al-Assad, que vem lutado contra uma revolta que dura mais de um ano, concordou no mês passado com um plano de paz da Liga Árabe que determina o dia 12 de abril como o prazo final para o estabelecimento de um cessar-fogo .

Uma equipe da ONU chegou a Damasco para negociar a possibilidade de enviar monitores da organização para supervisionar o cumprimento da medida.

Com BBC e EFE

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