Eleições para Câmara Baixa do parlamento egípcio entram na reta final

Com islamistas na frente, segundo turno da rodada final das eleições parlamentares tem início nesta terça-feira

iG São Paulo |

O segundo turno da rodada final das eleições à Câmara Baixa do Parlamento egípcio teve início nesta terça-feira com os islamistas se preparando para garantir a maioria dos assentos, enquanto um partido secular planeja boicotar a votação para a Câmara Alta.

Fase final: Egípcios voltam às urnas para terceira rodada da eleição

Reuters
Mulher deposita voto em urna no segundo turno da fase final das eleições parlamentares para a Câmara Baixa em El-Kalubia, arredores do Cairo

Banidos sob o regime de Hosni Mubarak , a Irmandade Muçulmana emergiu como o maior vencedor da revolta que derrubou-o do poder , explorando uma base de apoio muito bem organizada nas primeiras eleições legislativas livres em décadas.

Islamistas de várias correntes devem garantir 60% das 498 cadeiras na Assembleia da Câmara Baixa - somente a Irmandade terá algo em torno de 41% do total, segundo uma contagem feita pela própria organização.

Esse número mostra que o grupo terá um importante papel em elaborar a nova Constituição e será uma força a ser reconhecida pelos militares que governam o país desde a queda de Mubarak. A Irmandade, no entanto, prometeu que, no momento, vai cooperar com o governo controlado por Exército.

Apesar das garantias da Irmandade, a força islâmica preocupa os oponentes liberais, e as eleições desta terça-feira foram ofuscadas pela decisão de um partido de boicotar as eleições para a Câmara Alta.

O Partido dos Egípcios Livres, fundado pelo magnata das telecomunicações Naguib Sawiris, disse que iria boicotar a votação em protesto contra o que chamou de violações cometidas pelos partidos islâmicos nas rodadas anteriores.

"O processo se tornou uma competição religiosa em vez de eleitoral, o que equivale a um forjar de consciência, cujo efeito nos resultados não é menos do que as falsificações físicas que costumavam acontecer", disse o partido em comunicado.

Para se apresentar como um potencial governo, a Irmandade tem reportado uma imagem moderada, se distanciando dos protestos nas ruas realizados por ativistas pró-democracia, reivindicando que o Exército entregue seu poder imediatamente .

A fase decisiva das eleições parlamentares acontecem nesta terça-feira e na quarta-feira em oito províncias - mas partes do Cairo e da Alexandria também terão eleições, pois irregularidades impediram a realização da primeira rodada nesses lugares. Essas votações devem preencher 11% das cadeiras que ainda não estão definidas.

As eleições em três estágios no Egito tiveram início em 28 de novembro. Sob um complexo sistema, um terço dos assentos parlamentares estão reservados para candidatos independentes. Os outros dois terços são decididos por uma representação proporcional pelas listas de partido. A Câmara Baixa terá sua primeira sessão em 23 de janeiro.

Nesses dois dias, ocorrem eleições naquelas circunscrições onde nenhum aspirante das listas abertas obteve maioria suficiente - a metade mais um - para assumir uma cadeira no primeiro turno, estabelecido entre os dias 3 e 4 de janeiro .

Ao contrário desse primeiro turno, que ocorreu em nove províncias, nessa ocasião a votação será realizada em oito pela decisão de um tribunal de suspender as eleições no Sul do Sinai por infrações cometidas durante as primeiras jornadas.

Assim, haverá eleições nessa terça e quarta-feira nas províncias setentrionais de Qaliubia, Dakahlia e Garbia; na ocidental de Matruh; nas meridionais de Minya, Qena e Wadi al Jadid, e na oriental do Norte do Sinai.

As eleições para a Câmara Alta têm início no fim de janeiro e continuam em fevereiro. Os generais militares, que ficaram com o poder após a queda de Mubarak em fevereiro, governarão o país até o final de junho, momento em que entregarão o poder para o novo presidente eleito.

Uma autoridade sênior da Irmandade Muçulmana em Alexandria disse ao jornal Al-Shorouk que o grupo está considerando se irá apoiar um candidato à presidência de seu próprio grupo.

Ele afirmou que a Irmandade poderia apoiar o atual chefe da Liga Árabe, Nabil Elaraby, um diplomata que até o momento não sugeriu que concorreria, mas seu nome tem sido frequentemente citado pela mídia como potencial concorrente.

Com EFE e Reuters

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