ElBaradei diz que violência é obra de 'regime criminoso'

Para Prêmio Nobel da Paz, choques desta quarta só ocorreram porque governo não atuou para impedir encontro de grupos rivais

BBC Brasil |

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O oposicionista egípcio e Nobel da Paz Mohammed ElBaradei disse que as cenas de violência que aconteceram nos protestos desta quarta-feira na praça Tahir, no Cairo, são "atos de um regime criminoso".

"Estou extremamente preocupado. Essa é outra indicação de um regime criminoso usando atos criminosos", disse ele. "Todos têm direito a manifestações pacíficas, mas não se pode permitir que manifestantes (de lados) opostos se encontrem, porque dessa forma se está pedindo por violência." "Meu temor é que isso se torne um banho de sangue, especialmente por sabermos que os simpatizantes de Mubarak são uns trogloditas."

ElBaradei, que ocupou o posto de diretor da Agência Internacional de Energia Atômica e surgiu como um potencial porta-voz da coalizão de movimentos de oposição, rejeitou a possibilidade de ocupar algum posto no governo.

"Não tenho interesse em assumir nenhum cargo. Estou aqui como egípcio para garantir que, neste estágio da minha vida, o Egito mude de um regime opressor e autoritário para uma democracia", disse ele. "Essa é a minha prioridade, mas, se o povo quiser que eu contribua de outra forma, não vou decepcioná-los", afirmou.

Perfil

Nascido em 1942, ElBaradei formou-se em Direito pela Universidade do Cairo. Foi chefe da AIEA entre 1997 e 2009, período no qual atuou nas negociações com a Coreia do Norte e o Irã.

Antes da invasão do Iraque, em 2003, ElBaradei questionou as acusações, feitas pelos Estados Unidos, de que o regime de Saddam Hussein teria armas de destruição em massa.

ElBaradei tem participado ativamente dos protestos no Cairo. Ele nunca disputou eleições, mas seu nome é fortemente cogitado para liderar um governo de transição, caso Mubarak deixe o poder. Para isso, ElBaradei já recebeu o apoio de diversos partidos e movimentos de oposição.

Mas ElBaradei sofre críticas internas por ter morado muito tempo fora do Egito e, por esse motivo, supostamente ter pouco conhecimento da realidade do país. Especialistas afirmam que, para vários egípcios, o fato de ElBaradei ser um civil conta pontos para ele - o país é governado por militares desde 1958.

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