Egito terá comissão para estudar reforma constitucional

No 13º dia de protestos, governo e oposição acordam criação de painel para realizar reformas democráticas e suspensão de leis

iG São Paulo |

Participantes do diálogo entre o governo egípcio e vários grupos da oposição - no qual esteve presente a Irmandade Muçulmana - decidiram neste domingo formar um comitê encarregado de realizar reformas constitucionais, antes da primeira semana de março, anunciou o porta-voz do governo, Magdi Radi.

AP
Reunião entre vice e representantes da oposição ocorreu neste domingo, no Cairo
As conversações, com representantes da oposição e personalidades independentes, haviam sido convocadas pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman.

Houve consenso "sobre a formação de um comitê que contará com o Poder Judiciário e um certo número de personalidades políticas, para estudar e propor as emendas constitucionais e legislativas que se fizerem necessárias", anunciou Radi.

A Irmandade Muçulmana, maior grupo de oposição do Egito que esteve presente nas manifestações realizadas desde 25 de janeiro para exigir a renúncia do presidente Hosni Mubarak , no entanto, mostrou-se insatisfeito com o acordado e disse considerar a reforma da Constituição insuficiente , diante das demandas feitas ao governo.

Segundo Radi, os participantes da reunião de domingo se puseram de acordo sobre "uma transição pacífica do poder, com base na Constituição". O comunicado lido propõe a abertura de um escritório destinado a receber queixas relativas a presos políticos, estabelecer o levantamento das restrições impostas aos meios de comunicação e a rejeição a "qualquer intromissão externa nos assuntos egípcios". O texto pede, também, o levantamento do estado de emergência, de acordo com a situação da segurança.

O governo também prometeu liberdade de imprensa, assim como a restituição dos serviços de comunicação e internet. Além disso, comprometeu-se a colocar fim à Lei de Emergência, vigente no país desde 1981, que amplia poder de prisão e censura do Estado.

O diálogo aberto neste domingo reúne representantes da Irmandade Muçulmana, do Partido Wafd (liberal) e do Tagammou (esquerda), que fazem parte de um comitê escolhido por grupos defensores da democracia. Estes lançaram o movimento de contestação que exige, desde 25 de janeiro a saída de Mubarak.

Recusa

O vice Omar Suleiman recusou neste domingo um pedido da oposição para que assuma os poderes de Mubarak, afirmou um dos participantes do encontro.

O chefe de Estado de 82 anos já anunciou que não se apresentará a um novo mandato no pleito de setembro, mas deixou claro que não tem a intenção de se demitir.

Em Munique, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, demonstrou apoio à participação do movimento islamita egípcio Irmandade Muçulmana nas conversações políticas no Egito. "Soubemos da participação da Irmandade Muçulmana, indicando que, pelo menos, estão envolvidos no diálogo que estimulamos", disse Hillary Clinton à National Public Radio (NPR), na Alemanha, onde participa da 47ª Conferência sobre a segurança.

Também na Alemanha, o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu que a situação no Egito não ameace a estabilidade do mundo árabe. "Desejamos um processo de transição de maneira ordenada e pacífica, sem impacto negativo na paz e a estabilidade da região", declarou.

Economia

Os manifestantes contrários ao governo de Mubarak entraram neste domingo no 13º dia de protestos, ao tentar bloquear o Exército, que tentava avançar na praça Tahrir.

Neste domingo, bancos e lojas estão reabrindo após uma semana fechados, em meio a temores de que a população tente sacar o dinheiro depositado em contas. O Banco Central está liberando parte de suas reservas de US$ 36 bilhões para cobrir as possíveis retiradas, mas o presidente da instituição diz acreditar que todas as transações "serão honradas".

O governo tenta reanimar a economia do país, que estaria perdendo pelo menos US$ 310 milhões por dia devido à crise no país. Os turistas sumiram do Egito e muitas lojas, fábricas e até a bolsa de valores estão fechadas há dias. Muitos produtos básicos estão em falta.

*Com AFP

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