Egito tem novos confrontos durante protestos contra junta militar

Segundo Ministério da Saúde, choques entre policiais e manifestantes deixaram mais de 20 mortos no país desde domingo

iG São Paulo |

Choque entre manifestantes e policiais voltaram a acontecer nesta segunda-feira nos arredores da praça Tahrir, no Cairo. Egípcios que protesto contra a junta militar que governa o país continuam acampados no local, símbolo dos protestos que derrubaram o regime de Hosni Mubarak , após 30 anos no poder, em fevereiro.

Reuters
Manifestante lança bomba de gás previamente lançada pela polícia na praça Tahrir, no Cairo
Por causa do terceiro dia consecutivo de choques, o ministro da Cultura Emad Abu Ghazi apresentou sua renúncia . "Apresento minha demissão para protestar contra a maneira com que o governo tratou os últimos eventos na Praça Tahrir", afirmou.

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De acordo com o Ministério da Saúde, os confrontos deixaram pelo menos 22 mortos (21 no Cairo e um em Alexandria) e 1.750 feridos desde domingo, segundo funcionários de um necrotério da capital. Informações prévias indicavam 33 mortos, mas os funcionários posteriormente corrigiram o número, afirmando que algumas das mortes não tinham relação com os confrontos.

Policiais e soldados usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha contra a multidão, que lançou pedras e bombas caseiras. Nesta segunda-feira, o responsável pelo setor de segurança do Ministério do Interior do Egito, Sami Sidhom, disse que os distúrbios não são organizados por ativistas, e sim por um grupo de pistoleiros infiltrados conhecido no país como "baltaguiya" - o que foi negado pelos manifestantes.

A uma semana das eleições parlamentares, os manifestantes acusam a junta militar responsável pela transição para a democracia de tentar manter seu poder no país após a eleição de um governo civil. Eles pedem a renúncia do marechal Hussein Tantawi, que lidera o governo militar, e a instituição de um conselho civil.

Uma declaração divulgada pelo gabinete do governo disse que as eleições, previstas para começar no dia 28 de novembro, serão realizadas e elogiou a "moderação" das forças do Ministério do Interior contra os manifestantes. Ao todo, o processo eleitoral levará três meses.

Nas últimas semanas, manifestantes, em sua maioria islamistas e jovens ativistas, vêm protestando contra um projeto de Constituição que, segundo eles, permitiria que os militares mantivessem muito poder. Segundo o projeto, os militares e seu orçamento não ficariam sujeitos a uma supervisão civil.

Isso irritou os manifestantes, que temem que as conquistas feitas durante o levante popular contra o regime de Mubarak sejam apagadas pela nova posição dos militares em um governo civil.

Os confrontos começaram no sábado, depois da realização de manifestações contra a junta militar no Cairo e outras cidades, como Alexandria, Suez e Aswan, na sexta-feira. Alguns jornais egípcios chamam os eventos de "a segunda revolução".

Na noite de domingo, a polícia fez uma tentativa violenta de retirar os milhares de manifestantes que ocupavam a praça Tahrir, mas eles retornaram à praça, gritando palavras de ordem, apenas uma hora após a ação da tropa de choque.

Testemunhas descreveram cenas de pânico quando centenas de soldados e policiais batiam na cabeça dos manifestantes tentando expulsá-los da praça. Alguns acusam as forças de segurança de atirar usando balas de verdade, alegação que é negada pela polícia.

Com BBC e AP

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