Na 4ª, quando país marca 1º aniversário do início do levante anti-Mubarak, medida em vigor há 30 anos só valerá para inespecíficos 'casos de violência'

Marechal Hussein Tantawi anuncia em discurso televisionado que estado de emergência, em vigor há quase 31 anos, será levantado parcialmente
AFP
Marechal Hussein Tantawi anuncia em discurso televisionado que estado de emergência, em vigor há quase 31 anos, será levantado parcialmente
O chefe do conselho militar que governa o Egito, marechal Mohamed Hussein Tantawi, anunciou nesta terça-feira que, com exceção de alguns casos, decidiu suspender o estado de emergência a partir de quarta-feira, quando se completa um ano do início do levante popular que depôs Hosni Mubarak em 11 de fevereiro .

Em discurso à nação transmitido pela rede de televisão egípcia, Tantawi, a máxima autoridade do país, disse que porá fim à medida de exceção em todas as províncias do país, exceto em "casos de violência" e "bandidagem", sem entrar em detalhes sobre esse ponto. "Tomei a decisão de acabar com o estado de emergência", afirmou o marechal.

A Lei de Emergência está em vigor desde 1981, ano em que o ex-presidente Anwar al-Sadat foi assassinado, e sua extinção foi uma das principais reivindicações dos ativistas após a revolução que derrubou o regime de Mubarak .

Logo depois, um deputado egípcio declarou que a medida não levará ao cancelamento de leis de exceção em vigor desde 1981. "Esse não é um cancelamento de fato do estado de emergência", disse Essam Sultan, membro recém-eleito do Parlamento, pelo Partido Wasat, uma legenda islamista moderada. "Os termos da lei designam o fim do estado de emergência completamente ou sua imposição por completo, nunca algo entre uma coisa e outra", disse.

Tantawi, que lidera a junta militar que sucedeu a Mubarak, lembrou os mártires e os feridos nos protestos e afirmou que a cúpula militar compartilha as ideias da revolução. "O povo e as Forças Armadas têm o mesmo objetivo: que o Egito se transforme em um país democrático, e a nova Assembleia do Povo (Câmara Baixa) é o primeiro passo nesse caminho", ressaltou, referindo-se ao órgão que fez sua sessão inaugural na segunda-feira.

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Em seu discurso, afirmou que a Câmara "é fruto da revolução", já que é a primeira escolhida por "livre vontade dos egípcios mediante eleições transparentes". "Confio que a Assembleia do Povo será um fórum livre para a democracia e uma fortaleza constitucional que represente o povo. Esse Parlamento abrirá o caminho para mais reformas", afirmou.

Tantawi também agradeceu a alta participação dos cidadãos nas recentes eleições legislativas, nas quais os partidos islâmicos prevaleceram , e o trabalho desempenhado pelos diferentes governos que dirigiram o país na etapa de transição.

O discurso do marechal ocorre apenas um dia antes de o Egito celebrar dividido o primeiro aniversário da Revolução de 25 de Janeiro, já que muitos consideram que suas reivindicações não foram atendidas.

*Com Reuters e EFE

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