Egito registra conflitos na praça Tahrir após eleições

Segundo testemunhas, briga entre manifestantes e vendedores ambulantes deixou dezenas de feridos

iG São Paulo |

O Egito realizou nesta terça-feira o segundo dia de votação da histórica eleição parlamentar , a primeira desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak , mas no início da noite, uma nova rodada de confrontos foi registrada na praça Tahrir, no Cairo.

Leia também: Eleitores vão às urnas no segundo dia de votação no Egito

EFE
Oficiais eleitorais carregam as urnas com as cédulas

Dezenas de feridos foram tratados em tendas improvisadas na praça na noite de terça-feira, por conta de machucados feitos por pedras, garrafas e coquetel Molotov, segundo o médico Hisham Sheeha, entrevistado pela CNN.

A praça - que foi o epicentro dos protestos que derrubaram Mubarak, em fevereiro - atualmente concentra manifestantes que exigem o fim imediato do regime militar e a implantação de um governo civil. Desde 19 de novembro e até há poucos dias, a praça enfrentou duros choques entre as forças de segurança e os ativistas que deixaram mais de 40 mortos e milhares de feridos

Segundo a imprensa estatal, que citou uma fonte militar, não havia polícia ou guardas na praça no momento do confronto. De acordo com testemunhas, os confrontos começaram a partir de uma discussão entre manifestantes e vendedores ambulantes. Os choques entre os manifestantes que estão acampados no local e os vendedores teria sido iniciado quando alguns destes se negaram a mostrar suas carteiras de identidade.

Os manifestantes exigiram a identificação dos vendedores para se certificar de que entre eles não havia pistoleiros ou delinquentes infiltrados. Em sinal de protesto, os vendedores começaram a lançar pedras e garrafas vazias contra os manifestantes, enquanto outros fizeram uma cadeia humana na rua onde fica o Museu Egípcio para impedir que mais pessoas chegassem ao local.

Um dos ativistas que permanece na praça, Ahmed Siyam, explicou à Agência Efe que na segunda-feira um grupo de manifestantes decidiu expulsar os vendedores que nos últimos dias haviam se instalado em Tahrir para fazer negócios durante os protestos. Segundo Siyam, o ambiente piorou desde que algumas dessas pessoas começaram a pedir dinheiro e a vender drogas na área, razão pela qual foram expulsos, o que motivou a volta dos vendedores e de mais pessoas que atacaram os ativistas.

Outro dos jovens revolucionários, Hisham Ezat, afirmou à Efe que muitas dessas pessoas alheias ao protesto eram familiares dos vendedores que foram expulsos e que buscavam vingança. Uma fonte de segurança afirmou na emissora de televisão egípcia que a polícia não está vinculada aos incidentes.

Um vendedor ouvido pela CNN, cuja banca de sanduíches foi destruída, disse que os manifestantes estavam agindo de forma indiscriminada e confiscando seus produtos.

Os confrontos acontecem após o segundo dia das eleições no Egito . Na segunda-feira, o primeiro dia de votação, o comparecimento de eleitores foi grande, apesar das preocupações de segurança.

A junta militar reconheceu irregularidades e atrasos no primeiro dia de votação, causados por motivos diversos como problemas na entrega de cédulas e falta de tinta. Como resultado, longas filas se formaram em diversos colégios eleitorais do país.

Nesta terça-feira, as filas também podiam ser vistas em cidades como Cairo e Alexandria. Nessa primeira fase da eleição parlamentar, que terá três etapas e será concluída em março, eleitores de nove províncias estão aptos a votar. No total, o país tem 27 províncias.

Os eleitores precisam escolher dois candidatos individuais e uma coalizão ou partido. A expectativa é que a Irmandade Muçulmana, maior e mais organizado grupo político do país, tenha um bom desempenho.

Com EFE e Reuters

    Leia tudo sobre: egitomundo árabepraça tahrircairomubarakeleição no egito

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG