Egito proíbe testes de virgindade em mulheres detidas

Tribunal veta prática realizada em mulheres presas em casas de detenção militares após protestarem contra o governo

iG São Paulo |

Um tribunal administrativo do Cairo proibiu nesta terça-feira a realização de testes de virgindade em mulheres presas em casas de detenção militares, informaram fontes dos serviços de segurança.

Leia também:
- Infográfico mostra como é a vida das mulheres árabes e muçulmanas

- Contrarrevolução frustra avanço de mulheres no Egito, diz ativista

AP
Samira Ibrahim, 25 anos, participa de manifestação em apoio ao direito das mulheres em Cairo, no Egito

A decisão da Justiça ocorreu após a denúncia apresentada contra o Conselho Supremo das Forças Armadas por Samira Ibrahim e Maha Mohammed Maamoun. As duas jovens foram detidas em março por participarem das manifestações e, durante o período de detenção, sua virgindade foi examinada por médicos militares.

"A justiça foi feita hoje", disse Samira à CNN. "Esses testes são um crime e também não condizem com a Constituição, que prevê igualdade entre homens e mulheres. Eu não vou desistir dos meus direitos como mulher ou ser humano."

Do lado de fora do tribunal, situado em Giza, dezenas de pessoas estavam reunidas para apoiar as jovens. Depois da divulgação da sentença, presentes à sessão no interior do juizado gritaram "Viva a Justiça" e "O povo quis e venceu".

Saiba mais: Mulheres protestam contra violência de policiais e militares no Egito

O episódio dos testes de virgindade em detidas há nove meses na Praça Tahrir da capital egípcia ganhou grande repercussão midiática e internacional. A organização Anistia Internacional publicou testemunhos de detidas que relataram o ocorrido após a desocupação pelos soldados da Praça Tahrir em 9 de março, um dia depois do Dia Internacional da Mulher.

Segundo a Anistia Internacional, 18 mulheres foram detidas, agredidas e submetidas a descargas elétricas. Outras 17 foram obrigadas a submeterem-se a testes de virgindade diante da acusação de prostituição.

Não há um número exato, mas a AI relatou que várias mulheres foram condenadas a sentenças agora suspensas de um ano de prisão por supostos delitos como destruição da propriedade, obstrução do trânsito, posse de armas e alteração da ordem pública.

Leia também: Apesar de papel em levantes, mulheres árabes ainda lutam por direitos

Em declarações à TV americana CNN, um general egípcio - que falou sob a condição de anonimato - reconheceu as práticas e as considerou justificadas. Essas mulheres "não são como sua filha ou a minha, mas moças que dividem tendas de campanha com homens", declarou o general, quem acrescentou que os testes foram feitos para que mais tarde não pudessem acusar os militares de estupro.

Com EFE

    Leia tudo sobre: egitomundo árabevirgindadetestemilitarprisão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG