Egito pede congelamento dos bens de Mubarak no exterior

Anúncio é feito no mesmo dia em que premiê britânico David Cameron faz visita oficial ao Cairo

iG São Paulo |

AP
Primeiro-ministro britânico, David Cameron, visita a praça Tahrir, no centro do Cairo

O procurador-geral do Egito, Abdel Meguid Mahmud, pediu nesta segunda-feira que os bens do presidente deposto Hosni Mubarak no exterior sejam congelados. Segundo a TV estatal, o Ministério do Interior irá contatar países ao redor do mundo para que eles congelem os bens do ex-líder, sua mulher, seus dois filhos e suas duas cunhadas.

Os bens que Mubarak tinha no Egito foram congelados pouco depois de sua renúncia, em 11 de fevereiro. No domingo, a TV estatal noticiou que, por meio de seu advogado, Mubarak tinha afirmado não possuir bens no exterior. Acredita-se que o líder viva em Sharm el-Sheikh desde que deixou o poder.

O pedido do procurador-geral foi feito no mesmo dia em que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, desembarcou no Cairo, capital do Egito. Cameron é o primeiro líder mundial a visitar o país desde a queda de Mubarak.

Ainda no avião, ele disse que teria reuniões como autoridades egípcias para garantir que a transição para a democracia será genuína. "Como amigos de longa data dos egípcios, os britânicos vêm aqui não para dizer como vocês devem fazer as coisas, mas para perguntar como podemos ajudá-los a fazer o que sabemos que vocês querem fazer", afirmou Cameron a Hussein Tantawi, ministro da Defesa e chefe do Conselho Militar que assumiu o poder desde a renúncia de Mubarak.

O primeiro-ministro britânico também visitou a praça Tahrir, epicentro dos protestos, e encontrou líderes da oposição - mas não do grupo Irmandade Muçulmana, banido no país. Durante a visita, ele fez um breve comentário sobre a repressão contra manifestantes antigoverno na Líbia, que chamou de "espantosa e inaceitável".

Irmandade Muçulmana

Também nesta segunda-feira, a Irmandade Muçulmana, principal força opositora no Egito, anunciou a criação do partido político Liberdade e Justiça, em comunicado divulgado pelo escritório do líder espiritual do grupo, Mohammed Badia.

A nota explica que nos próximos dias será constituído o órgão gestor do partido e serão tomadas as medidas legais necessárias para colocá-lo em funcionamento. No texto, Badia explicou que a criação da legenda ocorreu a partir de decisões adotadas há muito tempo por seu Conselho Consultivo, principal órgão legislativo da organização islâmica.

O líder espiritual acrescentou que "o partido vai ser lançado para responder às esperanças e aos desejos do povo egípcio, a fim de se conquistar um futuro melhor no qual o Egito possa recuperar seu papel, posição e liderança".

Proibida desde 1954, a Irmandade Muçulmana é o principal e mais organizado grupo da oposição do Egito.

Com AP

    Leia tudo sobre: egitohosni mubarakdavi cameronprotestosmundo árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG