Egito monta esquema de segurança ao redor do Museu do Cairo

Antro de tesouros da civilização egípcia foi saqueado em meio a manifestações pró e contra o presidente Hosni Mubarak

AFP |

AP
No Cairo, soldado patrulha museu com tesouros da Antiguidade
O tanque Abrams do Exército egípcio aponta seu canhão para a multidão de manifestantes reunida na praça Tahrir, para proteger um antro de tesouros intestimáveis: o Museu do Cairo.

Depois de intrusos terem conseguido penetrar nas salas do museu na semana passada , um importante dispositivo militar foi posicionado ao redor do famoso prédio de pedra rosa. À procura de ouro, os saqueadores quebraram vidros de mostruários e danificaram 70 objetos.

Soldados uniformizados, equipados com capacetes pesados, coletes à prova de balas e armas kalashnikov, estão posicionados 20 metros atrás dos gradis. Do lado deles, bombeiros com capacetes amarelos. No pátio, blindados em posição. Outros veículos estão na praça.

Fechado há mais de oito dias, o museu fica em uma das avenidas que vem sendo palco dos enfrentamentos entre manifestantes pró e contra o presidente Hosni Mubarak. Os militantes construíram neste lugar barricadas com carros carbonizados, caminhões com pneus furados, placas, postes e pedras.

Na tarde de sexta-feira, quando milhares de manifestantes expressavam sua raiva contra o líder egípcio , ninguém estava autorizado a se aproximar a menos de 20 metros dos portões do museu.

"Está seguro, muito seguro, não estamos preocupados", garantiu à AFP Zahi Hawass, secretário de Estado das Antiguidades. Ele explicou que durante a tentativa de pilhagem do dia 28 de janeiro, os ladrões haviam tido tempo de quebrar mostruários e objetos, mas foram capturados por simples cidadãos que entraram no prédio para proteger os tesouros, prendendo os saqueadores e entregando-os aos soldados enviados em urgência.

Em seguida, a população formou uma corrente humana, centenas de pessoas de mãos dadas ao redor dos gradis, para impedir qualquer invasão às centenas de salas onde cerca de 100 mil peças estão expostas. Outras 50 mil estão bem guardadas. "O que aconteceu no Egito é muito raro", explicou Hawass, ao acrescentar que todos os objetos danificados, incluindo duas esculturas de Tutankhamon, podem ser restaurados e nada foi roubado.

Na quarta-feira, durante os confrontos intensos entre manifestantes, coquetéis molotov voaram nas proximidades do museu. Dois chegaram a cair no pátio do prédio, incendiando uma árvore. A polícia apagou as chamas com um canhão de água, depois os bombeiros chegaram para controlar a situação.

O prédio não foi atingido, mas as imagens, transmitidas ao vivo, preocuparam o mundo inteiro. "O museu egípcio do Cairo abriga objetos únicos do patrimônio mundial", declarou o British Museum. A Unesco rapidamente acrescentou: "É muito importante que esses objetos insubstituíveis sejam completamente protegidos a fim de garantir sua segurança".

AFP
Egípcias passam na frente de Museu do Egito, no Cairo

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