Egito levantará leis de emergência para eleições de setembro

Anúncio de votação para Parlamento é feito no mesmo dia em que governo confirma prisão domiciliar para ex-presidente Mubarak

iG São Paulo |

A junta militar que governa provisoriamente o Egito anunciou nesta segunda-feira em comunicado que o ex-presidente Hosni Mubarak, de 82 anos, e membros de sua família estão sob prisão domiciliar no país. O anúncio parece ter o objetivo de negar rumores publicados nos últimos dias de que o ex-líder teria supostamente viajado à Arábia Saudita para se submeter a um tratamento médico.

A declaração sobre Mubarak foi feita no mesmo dia em que a junta militar anunciou que as notórias leis de emergência do país serão levantadas antes das eleições parlamentares programadas para setembro. As leis, que estão em vigor desde 1981, dão à polícia poderes quase ilimitados de prender e manter indefinidamente na prisão pessoas sem acusação formal.

"Não são verdadeiras as notícias sobre a saída do Egito do ex-presidente Muhammad Hosni Mubarak com destino a Tobuk, na Arábia Saudita, já que ele e sua família estão sob prisão domiciliar no Egito", disse a nota.

Em 8 de março, um tribunal egípcio confirmou o congelamento dos bens do ex-presidente e de sua família e a proibição de eles deixarem do país. A proibição tinha sido emitida inicialmente em 28 de fevereiro pelo procurador-geral egípcio, Abdel Maguid Mahmoud.

Após renunciar ao poder em 11 de fevereiro, pressionado por 18 dias de manifestações populares no Egito, Mubarak deixou o Cairo e se mudou para a cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai.

Eleições legislativas

As primeiras eleições legislativas do Egito após a queda de Mubarak serão realizadas em setembro, informou o general Mamduh Shahin, integrante do conselho militar que governa o Egito desde 11 de fevereiro. Ainda não há data marcada para a votação presidencial, que será definida posteriormente.

Shahin explicou também que as eleições acontecerão sem estado de emergência. "Não acontecerão eleições, parlamentares ou presidenciais, sob estado de emergência", disse Shahin.

No início de março, milhões de egípcios votaram em favor de emendar artigos-chave da Constituição que abriram caminho para eleições livres e justas e permitiram a independentes participar do voto presidencial.

***Com AP, EFE e AFP

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